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sábado, 2 de maio de 2015

A Cirurgia


Na manhã de quarta-feira, fui levada ao bloco cirúrgico bem cedo,em jejum.
O cirurgião e o anestesista me receberam bem,num clima de tranquilidade.
Retiraram o tumor no intestino,do tamanho de uma laranja,e vários linfonodos locais,sendo que cinco foram invadidos pelo tumor.
Me disseram que o linfonodo sentinela estava "inchado"e eu até senti um certo orgulho deste "guerreiro",que lutou até o fim para evitar a disseminação das metástases. 
O cirurgião me contou que a cirurgia foi um sucesso,que nem ele esperava que tudo tivesse saído tão bem.Para mim,nenhuma surpresa, já que eu tinha pedido,em minhas orações,que Jesus fosse o meu cirurgião.
O pós-operatório foi doloroso.Minha pressão caiu bastante e eu não consegui aguentar a dor sem morfina.
Eu pedia para beber água, mesmo sabendo que não podia.Uma enfermeira caridosa molhava os meus lábios com uma gaze úmida.Fui visitada por familiares e amigos na sala de recuperação.
Como estava que era "só osso",fiquei com escaras na região do cóccix.
Cerca de trinta e seis horas depois da cirurgia,fui para um quarto particular,pois o outro estava virado numa "baderna" e eu queria silêncio para descansar.Fui visitada por um Ministro da Eucaristia,que me deu um pedacinho da óstia,já que eu não podia ingerir nada.
Ficava quase que imobilizada na cama,sem me mexer,cheia de catéter e sonda por tudo que é lado,e com muita dor.
Quando a gente fica numa situação destas é que dá valor a poder se movimentar,ficar sem dor,comer,tomar banho e outras coisas banais.
O primeiro dia em que tomei banho,agradeci a Deus.Parecia uma coisa de outro mundo.
Recebi muitas visitas,mensagens,telefonemas.Às vezes não atendia o telefone porque estava sem bateria ou porque doía muito para esticar o braço e pegá-lo.
Quero,aqui,agradecer a todos pela atenção e carinho.
Agradecer à minha família,sempre ao meu lado,especialmente à minha mãe,com sua presença de espírito e raciocínio rápido.
Agradecer aos amigos e colegas,que deixaram seus afazeres para irem me dar um apoio;aos que mandaram flores,para me alegrar.
Comecei a ser alimentada aos poucos.Que felicidade eu tive,no dia em que me trouxeram uma bandeja com café com leite e pão.Até perguntei se não tinha sido entregue por engano no meu quarto,se eu já podia comer...
Já nos últimos dias,tive uma flebite na minha única veia de acesso.Finalmente,passaram a medicação para via oral e eu me livrei do equipo de soro.
E me deram alta.Graças a Deus,eu ia para casa.
Apesar da dor na ferida operatória,da dificuldade de movimentação e do mal-estar,pensei que o pior já havia passado.Achei que o que viria pela frente era "barbada".Sabia que teria que fazer quimioterapia para as metástases no fígado,mas pensava que seria mais tranquilo.
Doce ilusão...

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