Quando acontece uma desgraça na vida da gente,como o tumor que eu tive,ficamos nos perguntando qual foi o motivo de isto ter acontecido.Além da genética,da alimentação inadequada e do "stress",também me passou pela cabeça que o câncer fosse um "castigo" por algum erro cometido em "outras vidas" ou uma provação pela qual eu devesse passar.Tudo passa pela nossa cabeça,menos o óbvio,que queremos evitar.
Cometemos sempre o mesmo erro,até que o corpo resolve se manifestar,como se fosse um "grito"de advertência.Se não fosse assim,eu continuaria agindo da mesma maneira.
Tempos atrás,eu achava que o câncer era a somatização de um problema.Notava que,raramente,pessoas "de bem com a vida" tinham câncer."De bem com a vida",para mim,significa ter uma vida regrada,com boa alimentação,prática de exercícios físicos,relacionamentos saudáveis e,acima de tudo,conseguir manter uma "paz interior",apesar dos problemas que a vida nos impõe.Eu nunca fui uma pessoa "de bem com a vida".
O meu problema sempre foi o de não saber resolver os problemas de uma maneira saudável para mim.
Eu sempre quis evitar um "mal maior",então me calava.Na verdade,sempre me sacrifiquei pelos outros,que nem estavam ligando para mim e,talvez,nem soubessem que eu estava sofrendo.Eu sempre tentei evitar brigas.Sempre tive horror a isto e sempre me calei.
Os sapos que engoli,as injustiças que sofri e aceitei pacificamente,as ofensas,agressões,humilhações e traições que me impuseram...Tudo isto eu "enterrei"dentro de mim.Eu tentei ignorar,pois me disseram que quem é superior ignora este tipo de coisa.Mentira!
Minha amiga de infância,que não é médica mas tem um familiar que luta há 8 anos contra um câncer,tenta me convencer de que o câncer é multifatorial.Eu concordo,em parte.Pois acho que,no meu caso,foi uma somatização.
Assisto o filme "Livre",estrelado por Reese Witherspoon,e baseado no livro de Cheryl Strayed,em que a protagonista resolve fazer a trilha de 4.200 Km, que inclui toda a costa Oeste dos
Estados Unidos, da fronteira com o México até o Canadá,conhecida como
"Pacific Crest Trail",sem experiência nenhuma no esporte,em busca
de autoconhecimento.E também como forma de expurgar o passado,após o seu divórcio e a morte de sua mãe,causada por um câncer.
"Bobbi",a mãe da personagem principal,sofre com um marido alcoolista que a maltrata,sistematicamente,e,mesmo assim,procura encorajar os filhos e mostrar-lhes o lado positivo da vida.Acaba se divorciando dele,mas desenvolve um tumor,e morre aos 45 anos.Esta história é baseada em fatos reais.
Para expurgar o sofrimento do passado,depois de um período extremamente autodestrutivo,Cheryl decide caminhar pela longa trilha,passando por montanhas,desertos,neves e atravessando rios.Arrisca-se a toda sorte de perigos,inclusive,ficando sem água.
Do que não se é capaz para se desfazer do sofrimento...
E percebo que eu também estou fazendo uma "trilha",desde o meu diagnóstico.Como não tenho condições físicas de ir até o Caminho de Santiago de Compostela,o meu "caminho" é em casa e "online".
É mais prático,mas não menos isento de sofrimento.
Pena que eu não posso gritar,como faz Cheryl,no alto da montanha,liberando toda a dor causada pela perda de sua mãe.
Ainda assim,eu espero conseguir passar a minha vida "a limpo" e,depois de liberar a minha dor reprimida,me tornar uma pessoa melhor.
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domingo, 24 de maio de 2015
sábado, 23 de maio de 2015
O louco "Cool World"
Conversando com minha amiga de infância,citada na postagem anterior,em um determinado momento,ela me pergunta em que planeta eu vivo.
O mesmo de sempre.Desde criança,eu vivo num planeta em que o amor,a bondade,o respeito,a honestidade e a solidariedade são os principais valores.
Será que,algum dia,o planeta Terra será assim?
Não estou levantando nenhuma bandeira nem defendendo alguma categoria.O que escrevo aqui são idéias minhas e não quero ofender nem "ferir a honra" de ninguém,por mais desprezível que a pessoa seja e por mais que ela tenha me causado mal.
Inclusive,peço perdão se insultei alguém com minhas postagens.Não foi intencional.
Assisto,na televisão,que os católicos estão "confusos" com a posição do impressionante e,ao mesmo tempo, debilitado Papa Francisco frente ao casamento gay.O homem pacificador é pressionado,incessantemente,pelos hipócritas,apesar da sua frágil saúde.Deve ser por isso que o pontífice vive pedindo que rezemos por ele.
Alguns diriam que ser homossexual é uma aberração.Não devem casar!Será?
Se o amor é verdadeiro,que casem,já que este sentimento,hoje em dia,é tão raro.
Se é uma aberração,eu não sei.Tenho alguns amigos e colegas homossexuais e posso dizer que são boas pessoas.
O que eu acho aberração é a falta de atendimento em saúde,falta de educação,de saneamento básico e de condições dignas de trabalho.Aberração é a corrupção e as mortes que ela causa.Sim, porque tem gente que morre por não ter atendimento médico,já que o recurso financeiro destinado à saúde foi desviado para a conta de algum político,no exterior.
A corrupção mata.
E o que dizer da "guerra" no Oriente Médio,do terrorismo,do assassinato em massa de cristãos,da miséria na África,da intolerância religiosa e da descriminação racial?
Isto não preocupa ninguém...Todos já se acostumaram com estas notícias.
As pessoas estão muito ocupadas disputando o "livro" (de capa dura!) lançado pela Kim Kardashian,contendo apenas "selfies",sem nada escrito,que se esgotou nos 5 primeiros minutos,nas principais capitais do mundo."Chocante",como se dizia na minha época.
No"meu planeta",esta futilidade não teria vez.
Se vocês pensarem bem,o"meu planeta" é melhor,heim?
Echosmith-Cool Kids
https://youtu.be/UXTlczyWJ-Y
O mesmo de sempre.Desde criança,eu vivo num planeta em que o amor,a bondade,o respeito,a honestidade e a solidariedade são os principais valores.
Será que,algum dia,o planeta Terra será assim?
Não estou levantando nenhuma bandeira nem defendendo alguma categoria.O que escrevo aqui são idéias minhas e não quero ofender nem "ferir a honra" de ninguém,por mais desprezível que a pessoa seja e por mais que ela tenha me causado mal.
Inclusive,peço perdão se insultei alguém com minhas postagens.Não foi intencional.
Assisto,na televisão,que os católicos estão "confusos" com a posição do impressionante e,ao mesmo tempo, debilitado Papa Francisco frente ao casamento gay.O homem pacificador é pressionado,incessantemente,pelos hipócritas,apesar da sua frágil saúde.Deve ser por isso que o pontífice vive pedindo que rezemos por ele.
Alguns diriam que ser homossexual é uma aberração.Não devem casar!Será?
Se o amor é verdadeiro,que casem,já que este sentimento,hoje em dia,é tão raro.
Se é uma aberração,eu não sei.Tenho alguns amigos e colegas homossexuais e posso dizer que são boas pessoas.
O que eu acho aberração é a falta de atendimento em saúde,falta de educação,de saneamento básico e de condições dignas de trabalho.Aberração é a corrupção e as mortes que ela causa.Sim, porque tem gente que morre por não ter atendimento médico,já que o recurso financeiro destinado à saúde foi desviado para a conta de algum político,no exterior.
A corrupção mata.
E o que dizer da "guerra" no Oriente Médio,do terrorismo,do assassinato em massa de cristãos,da miséria na África,da intolerância religiosa e da descriminação racial?
Isto não preocupa ninguém...Todos já se acostumaram com estas notícias.
As pessoas estão muito ocupadas disputando o "livro" (de capa dura!) lançado pela Kim Kardashian,contendo apenas "selfies",sem nada escrito,que se esgotou nos 5 primeiros minutos,nas principais capitais do mundo."Chocante",como se dizia na minha época.
No"meu planeta",esta futilidade não teria vez.
Se vocês pensarem bem,o"meu planeta" é melhor,heim?
Echosmith-Cool Kids
https://youtu.be/UXTlczyWJ-Y
O outro lado da moeda : vale a pena ser forte?
Eu me pergunto,depois de todos estes acontecimentos,valeu a pena ter sido forte?
Sim,ter sido,pois não sou mais...
A doença tira,praticamente,tudo da gente.A "antiga" vida,o trabalho,as convivências,o orgulho das nossas conquistas...As nossas dificuldades,decorrentes da enfermidade,nos colocam na dependência da bondade dos outros.A doença nos humilha.
Ok,a humilhação,às vezes,é positiva,para que deixemos de lado a arrogância.
E eu insisto,valeu a pena ter sido forte?
Converso com uma colega e amiga de infância e ela me sugere que as pessoas não me enxergam como doente,não enxergam a minha fragilidade diante de certas coisas.Porque sempre me acharam forte e porque é mais fácil negar aquilo que não é bom,aquilo que dói.
Observo que,para algumas pessoas chegadas a mim,depois que inventaram a quimioterapia,o câncer não mata mais.
A medicina evoluiu muito,já me disseram.
Outros dizem:-"A russa é forte.É dura na queda."
Depois que realizei o PET-CT que,graças a Deus,não evidenciou as 4 metástases,eu fui "considerada" apta a "apanhar"novamente.A suportar desaforos,chantagens,desrespeitos,etc...
Mas eu não sou mais a mesma.E a quimioterapia continuou.
Entretanto,as mesmas pessoas que não se importam se estão me machucando,são "hipersensíveis".
A qualquer comentário meu,que talvez tenha sido infeliz,ficam extremamente magoadas.
-"Oh,a minha honra foi ferida!" ou -"Esta quimioterapia está mexendo com a tua cabeça."
E talvez esteja,mesmo!Os quimioterápicos são uma "bomba" e só quem já foi "bombardeado" é que sabe.
A vida das pessoas imaturas e superficiais é fácil,dá até inveja.
Se queixam de tudo,até das pessoas que estão sofrendo.Melhor não enxergar o lado ruim das coisas e ir ao shopping.Satisfação garantida e imediata,me falou,certa vez,um colega.
Tenho que dar a mão à palmatória,pois sempre fui "louca" por um "Free Shop".
Mas,depois do "coquetel"de serotonina e dopamina,tudo volta ao normal.As compras não preenchem o vazio,pelo menos para mim...
Nunca consegui escapar das coisas ruins,fugir do meu "karma".Sempre tive que encará-lo de frente.Alguns diriam que perdi o meu tempo.Poderia estar me divertindo com qualquer coisa,até porque a vida é curta.Mas não tive saída.Não me restou outra alternativa.Não tive opção.
Ser forte não foi uma questão de escolha; foi uma imposição.
E,mais difícil ainda,ser forte,entender e respeitar os imaturos e "fracos".
Fracos ou espertos?
Sim,porque acabam levando vantagem.
Mas tem horas em que penso que,em algum momento,os "espertos" terão que enfrentar o lado obscuro da vida.
Pois,se não fosse assim,a vida seria injusta com alguns.
Mas eu acredito que Deus é justo.
E acredito que tudo é um aprendizado.Quero crer que haja luz depois da escuridão.
Pensando assim,prefiro não"retardar" a tormenta.E espero que,passada a tribulação,eu tenha me fortalecido.
Sim,porque só desta forma eu poderei aguentar este mundo "louco".
Sim,ter sido,pois não sou mais...
A doença tira,praticamente,tudo da gente.A "antiga" vida,o trabalho,as convivências,o orgulho das nossas conquistas...As nossas dificuldades,decorrentes da enfermidade,nos colocam na dependência da bondade dos outros.A doença nos humilha.
Ok,a humilhação,às vezes,é positiva,para que deixemos de lado a arrogância.
E eu insisto,valeu a pena ter sido forte?
Converso com uma colega e amiga de infância e ela me sugere que as pessoas não me enxergam como doente,não enxergam a minha fragilidade diante de certas coisas.Porque sempre me acharam forte e porque é mais fácil negar aquilo que não é bom,aquilo que dói.
Observo que,para algumas pessoas chegadas a mim,depois que inventaram a quimioterapia,o câncer não mata mais.
A medicina evoluiu muito,já me disseram.
Outros dizem:-"A russa é forte.É dura na queda."
Depois que realizei o PET-CT que,graças a Deus,não evidenciou as 4 metástases,eu fui "considerada" apta a "apanhar"novamente.A suportar desaforos,chantagens,desrespeitos,etc...
Mas eu não sou mais a mesma.E a quimioterapia continuou.
Entretanto,as mesmas pessoas que não se importam se estão me machucando,são "hipersensíveis".
A qualquer comentário meu,que talvez tenha sido infeliz,ficam extremamente magoadas.
-"Oh,a minha honra foi ferida!" ou -"Esta quimioterapia está mexendo com a tua cabeça."
E talvez esteja,mesmo!Os quimioterápicos são uma "bomba" e só quem já foi "bombardeado" é que sabe.
A vida das pessoas imaturas e superficiais é fácil,dá até inveja.
Se queixam de tudo,até das pessoas que estão sofrendo.Melhor não enxergar o lado ruim das coisas e ir ao shopping.Satisfação garantida e imediata,me falou,certa vez,um colega.
Tenho que dar a mão à palmatória,pois sempre fui "louca" por um "Free Shop".
Mas,depois do "coquetel"de serotonina e dopamina,tudo volta ao normal.As compras não preenchem o vazio,pelo menos para mim...
Nunca consegui escapar das coisas ruins,fugir do meu "karma".Sempre tive que encará-lo de frente.Alguns diriam que perdi o meu tempo.Poderia estar me divertindo com qualquer coisa,até porque a vida é curta.Mas não tive saída.Não me restou outra alternativa.Não tive opção.
Ser forte não foi uma questão de escolha; foi uma imposição.
E,mais difícil ainda,ser forte,entender e respeitar os imaturos e "fracos".
Fracos ou espertos?
Sim,porque acabam levando vantagem.
Mas tem horas em que penso que,em algum momento,os "espertos" terão que enfrentar o lado obscuro da vida.
Pois,se não fosse assim,a vida seria injusta com alguns.
Mas eu acredito que Deus é justo.
E acredito que tudo é um aprendizado.Quero crer que haja luz depois da escuridão.
Pensando assim,prefiro não"retardar" a tormenta.E espero que,passada a tribulação,eu tenha me fortalecido.
Sim,porque só desta forma eu poderei aguentar este mundo "louco".
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Como estragar um dia perfeito.
Pois é...
Nós,pobres mortais que lutamos contra o câncer,também desfrutamos de dias que parecem perfeitos,vez ou outra...Até que alguma coisa os estrague.
Simplesmente,achamos que ninguém poderá estragar nosso dia,o sol já está se pondo,não há mais tempo de estragar nada,mas acontece.
E temos que encarar isto.Não temos outra opção.
Enquanto choro,escrevo estas linhas.E fico pensando no porquê de isto ocorrer.
Deve ser "karma" ou deve ser para eu me fortalecer.
Vou contar o que ocorreu comigo.
Depois de um dia divertido,raro para quem sofre com a quimioterapia e com seus efeitos colaterais,assisti o filme que ganhou o Oscar,"Birdman".Um louco filme,diga-se de passagem.
O problema é que o ator principal tem uma fala em que refere que Farrah Fawcett morreu no mesmo dia em que o cantor Michael Jackson,o que fez com que a morte da atriz passasse desapercebida.
Nenhum problema,se eu não fosse "notificada" de que ela faleceu de câncer.E muito menos,que foi de câncer anal.E que câncer anal fica perto do reto e do cólon,que foi o meu câncer.O câncer anal está mais relacionado com o vírus HPV,diferentemente do câncer de reto e cólon.Mas o estrago já está feito.E uma coisa leva à outra.
Às vezes,a identificação com os outros é terrível!
Pior,a Farrah era idolatrada por todas nós,adolescentes que assistíamos "As Panteras",nos anos 70.
Foi considerada curada,mas,em cerca de dois anos,o câncer voltou e ela morreu.
Desnecessário dizer que fui para a internet,pesquisar sobre o ocorrido.Queria me "desvincular" da história dela.
Nem o Deepak Chopra ajudou.Um médico indiano e excelente guru "New Age".Mas,câncer,não é para qualquer guru; tem que ter poder.
Aí,eu me lembro que quem me curou foi Jesus,que não é guru; é Filho de Deus.
Não me importa o que possa me acontecer nos próximos dias.Vou seguir acreditando em Jesus.Ele sabe o que é o melhor para mim.
Por favor,não me falem que "fulano"morreu de câncer,que "beltrano"acha que eu não vou me curar ou que o câncer vai reaparecer.
Acho que já estou sofrendo o suficiente.
Vocês devem estar pensando no tamanho da minha "loucura",que quase se equipara à do personagem principal do "Birdman"...Eu só não pulei a janela,né?
É que a gente fica muito frágil,quando abre um envelope com o resultado do exame anatomopatológico,e fica sabendo que se tem um tumor; pior se a gente é médica...
Pior,ainda,se tem metástase...
Mas,não se tem alternativa a não ser encarar.E se fortalecer.
Será que existe "Iron Woman"?
Sei lá...
O que posso fazer é "juntar os cacos" do meu dia quase perfeito; eu tinha que passar por isto.
Tudo tem um propósito.É o que quero crer.
Nós,pobres mortais que lutamos contra o câncer,também desfrutamos de dias que parecem perfeitos,vez ou outra...Até que alguma coisa os estrague.
Simplesmente,achamos que ninguém poderá estragar nosso dia,o sol já está se pondo,não há mais tempo de estragar nada,mas acontece.
E temos que encarar isto.Não temos outra opção.
Enquanto choro,escrevo estas linhas.E fico pensando no porquê de isto ocorrer.
Deve ser "karma" ou deve ser para eu me fortalecer.
Vou contar o que ocorreu comigo.
Depois de um dia divertido,raro para quem sofre com a quimioterapia e com seus efeitos colaterais,assisti o filme que ganhou o Oscar,"Birdman".Um louco filme,diga-se de passagem.
O problema é que o ator principal tem uma fala em que refere que Farrah Fawcett morreu no mesmo dia em que o cantor Michael Jackson,o que fez com que a morte da atriz passasse desapercebida.
Nenhum problema,se eu não fosse "notificada" de que ela faleceu de câncer.E muito menos,que foi de câncer anal.E que câncer anal fica perto do reto e do cólon,que foi o meu câncer.O câncer anal está mais relacionado com o vírus HPV,diferentemente do câncer de reto e cólon.Mas o estrago já está feito.E uma coisa leva à outra.
Às vezes,a identificação com os outros é terrível!
Pior,a Farrah era idolatrada por todas nós,adolescentes que assistíamos "As Panteras",nos anos 70.
Foi considerada curada,mas,em cerca de dois anos,o câncer voltou e ela morreu.
Desnecessário dizer que fui para a internet,pesquisar sobre o ocorrido.Queria me "desvincular" da história dela.
Nem o Deepak Chopra ajudou.Um médico indiano e excelente guru "New Age".Mas,câncer,não é para qualquer guru; tem que ter poder.
Aí,eu me lembro que quem me curou foi Jesus,que não é guru; é Filho de Deus.
Não me importa o que possa me acontecer nos próximos dias.Vou seguir acreditando em Jesus.Ele sabe o que é o melhor para mim.
Por favor,não me falem que "fulano"morreu de câncer,que "beltrano"acha que eu não vou me curar ou que o câncer vai reaparecer.
Acho que já estou sofrendo o suficiente.
Vocês devem estar pensando no tamanho da minha "loucura",que quase se equipara à do personagem principal do "Birdman"...Eu só não pulei a janela,né?
É que a gente fica muito frágil,quando abre um envelope com o resultado do exame anatomopatológico,e fica sabendo que se tem um tumor; pior se a gente é médica...
Pior,ainda,se tem metástase...
Mas,não se tem alternativa a não ser encarar.E se fortalecer.
Será que existe "Iron Woman"?
Sei lá...
O que posso fazer é "juntar os cacos" do meu dia quase perfeito; eu tinha que passar por isto.
Tudo tem um propósito.É o que quero crer.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
As Desventuras de Pi
Boa tarde!
Hoje vou falar de mais um exemplo de superação.
Trata-se do filme "As Aventuras de Pi",arrebatador de cinco categorias do Oscar,como melhor filme,melhor diretor,melhor fotografia,melhores efeitos visuais e melhor trilha sonora.Quem assistiu,sabe que os efeitos especiais em 3D são fantásticos,mas não foi o que mais me impressionou neste belo filme do diretor taiwanês Ang Lee,com roteiro baseado no livro homônimo do escritor canadense Yann Martel.
Adoro cinema,até porque sempre procuro extrair alguma "mensagem" dos filmes que assisto.
E a mensagem deste filme é "grandiosa" e inspiradora.
Não pensem que,se eu lhes tirar o prazer da surpresa,o filme perderá a graça,pois é uma "obra de arte"e precisa ser assistida várias vezes.
Piscine Patel,ou Pi,nasce na Índia,filho de um dono de zoológico e uma botânica.Ignorando os dogmas e preconceitos,abraça as três maiores fés do mundo: o cristianismo,o islamismo e o hinduísmo.Com uma inabalável crença no Sagrado,Pi entende a onipresença de Deus,independente de religião.
Por motivos financeiros,o pai de Pi decide se mudar para o Canadá, levando,juntamente com a família,alguns animais do zoológico,todos a bordo de um imenso navio cargueiro.Devido a uma violenta tempestade,o navio naufraga e Pi consegue se salvar,com mais outros animais,incluindo um tigre chamado "Richard Parker",dentro de um bote salva-vidas.Perdido em meio ao Oceano Pacífico,o protagonista passa por diversas situações,lutando para sobreviver.Precisa superar a perda da família,especialmente a de sua mãe,que,conforme mostrado no final,era um dos "animais" presentes no bote.Sozinho,passa a conviver com o tigre,alimentando-o e dominando-o.O animal parece ser uma alusão ao "Ego",nosso maior adversário.
A aventura segue,com uma breve parada na fantástica ilha.Embora cansado,sua intuição indica que a ilha é "perigosa",e que deve seguir a jornada,com muito mar pela frente,por pior que lhe pareça esta idéia.
Já adulto,Pi relata duas histórias a um jornalista,deixando por conta deste último,escolher a melhor versão.
Uma das versões é cheia de fantasia,milagres e amor.A outra versão é a dura e cruel realidade,da perda da família e da luta pela sobrevivência em um bote perdido no oceano.
Segundo Pi,mesmo que os fatos não possam ser modificados,acreditar em Deus dá significado à vida,dando-nos forças para sobreviver a todas as desgraças e sofrimentos.
Na verdade,o Criador sempre nos dá a liberdade de fazermos a nossa própria escolha.Ver,no mundo, apenas o sofrimento e a dor ou descobrir o significado profundo de todas as coisas.
Finalmente,a função da oração não é "influenciar" Deus, mas,especialmente,mudar a natureza daquele que ora.
Hoje vou falar de mais um exemplo de superação.
Trata-se do filme "As Aventuras de Pi",arrebatador de cinco categorias do Oscar,como melhor filme,melhor diretor,melhor fotografia,melhores efeitos visuais e melhor trilha sonora.Quem assistiu,sabe que os efeitos especiais em 3D são fantásticos,mas não foi o que mais me impressionou neste belo filme do diretor taiwanês Ang Lee,com roteiro baseado no livro homônimo do escritor canadense Yann Martel.
Adoro cinema,até porque sempre procuro extrair alguma "mensagem" dos filmes que assisto.
E a mensagem deste filme é "grandiosa" e inspiradora.
Não pensem que,se eu lhes tirar o prazer da surpresa,o filme perderá a graça,pois é uma "obra de arte"e precisa ser assistida várias vezes.
Piscine Patel,ou Pi,nasce na Índia,filho de um dono de zoológico e uma botânica.Ignorando os dogmas e preconceitos,abraça as três maiores fés do mundo: o cristianismo,o islamismo e o hinduísmo.Com uma inabalável crença no Sagrado,Pi entende a onipresença de Deus,independente de religião.
Por motivos financeiros,o pai de Pi decide se mudar para o Canadá, levando,juntamente com a família,alguns animais do zoológico,todos a bordo de um imenso navio cargueiro.Devido a uma violenta tempestade,o navio naufraga e Pi consegue se salvar,com mais outros animais,incluindo um tigre chamado "Richard Parker",dentro de um bote salva-vidas.Perdido em meio ao Oceano Pacífico,o protagonista passa por diversas situações,lutando para sobreviver.Precisa superar a perda da família,especialmente a de sua mãe,que,conforme mostrado no final,era um dos "animais" presentes no bote.Sozinho,passa a conviver com o tigre,alimentando-o e dominando-o.O animal parece ser uma alusão ao "Ego",nosso maior adversário.
A aventura segue,com uma breve parada na fantástica ilha.Embora cansado,sua intuição indica que a ilha é "perigosa",e que deve seguir a jornada,com muito mar pela frente,por pior que lhe pareça esta idéia.
Já adulto,Pi relata duas histórias a um jornalista,deixando por conta deste último,escolher a melhor versão.
Uma das versões é cheia de fantasia,milagres e amor.A outra versão é a dura e cruel realidade,da perda da família e da luta pela sobrevivência em um bote perdido no oceano.
Segundo Pi,mesmo que os fatos não possam ser modificados,acreditar em Deus dá significado à vida,dando-nos forças para sobreviver a todas as desgraças e sofrimentos.
Na verdade,o Criador sempre nos dá a liberdade de fazermos a nossa própria escolha.Ver,no mundo, apenas o sofrimento e a dor ou descobrir o significado profundo de todas as coisas.
Finalmente,a função da oração não é "influenciar" Deus, mas,especialmente,mudar a natureza daquele que ora.
sábado, 16 de maio de 2015
Doze anos de sofrimento
Bom dia!
Hoje gostaria de falar sobre o filme "Doze Anos de Escravidão",drama épico que assisti.Excelente,diga-se de passagem,tanto que ganhou o Oscar de melhor filme em 2014.Com Chiwetel Eijofor, no papel principal,e Lupita Nyong'o,que ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante,é baseado no livro homônimo e autobiográfico de Solomon Northup,que narra a inacreditável história de um homem negro,que luta pela sobrevivência e liberdade.O personagem principal,homem livre,nascido em NY,é sequestrado e vendido como escravo no Sul dos EUA,na época anterior à Guerra Civil Norte-Americana.Músico respeitado,Solomon é trapaceado e acaba virando escravo em uma plantação de algodão,onde é tratado cruelmente.E,o pior,isto aconteceu,realmente!
Não vou me ater na forma desumana com que tratavam os escravos,mas no espírito grandioso do personagem principal,que procura manter a sua vida e a sua dignidade frente a uma situação degradante.
Apesar de toda desgraça que se abate,injustamente,sobre ele,Solomon nunca perde a esperança e,tampouco,se revolta contra Deus.Ao contrário.Adverte a personagem de Lupita,que solicita-lhe que ele a mate,após esta sofrer inúmeros abusos por parte do dono da fazenda e de sua ciumenta esposa.
História impressionante!
Quisera ter a coragem deste homem e não esmorecer,não perder a esperança,durante doze anos de escravidão injusta.Sim,porque ele nasceu livre,no Norte dos EUA.
Mesmo que a sua libertação fosse improvável,ele nunca desistiu.E teve paciência.E,no final,foi recompensado.
Recompensado pela fé,persistência,coragem e presença de espírito.
O "recadinho"de hoje é este,pessoal.Vamos treinar a nossa fé diante dos pequenos obstáculos para que possamos resistir às grandes tribulações!
Bom domingo!
Hoje gostaria de falar sobre o filme "Doze Anos de Escravidão",drama épico que assisti.Excelente,diga-se de passagem,tanto que ganhou o Oscar de melhor filme em 2014.Com Chiwetel Eijofor, no papel principal,e Lupita Nyong'o,que ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante,é baseado no livro homônimo e autobiográfico de Solomon Northup,que narra a inacreditável história de um homem negro,que luta pela sobrevivência e liberdade.O personagem principal,homem livre,nascido em NY,é sequestrado e vendido como escravo no Sul dos EUA,na época anterior à Guerra Civil Norte-Americana.Músico respeitado,Solomon é trapaceado e acaba virando escravo em uma plantação de algodão,onde é tratado cruelmente.E,o pior,isto aconteceu,realmente!
Não vou me ater na forma desumana com que tratavam os escravos,mas no espírito grandioso do personagem principal,que procura manter a sua vida e a sua dignidade frente a uma situação degradante.
Apesar de toda desgraça que se abate,injustamente,sobre ele,Solomon nunca perde a esperança e,tampouco,se revolta contra Deus.Ao contrário.Adverte a personagem de Lupita,que solicita-lhe que ele a mate,após esta sofrer inúmeros abusos por parte do dono da fazenda e de sua ciumenta esposa.
História impressionante!
Quisera ter a coragem deste homem e não esmorecer,não perder a esperança,durante doze anos de escravidão injusta.Sim,porque ele nasceu livre,no Norte dos EUA.
Mesmo que a sua libertação fosse improvável,ele nunca desistiu.E teve paciência.E,no final,foi recompensado.
Recompensado pela fé,persistência,coragem e presença de espírito.
O "recadinho"de hoje é este,pessoal.Vamos treinar a nossa fé diante dos pequenos obstáculos para que possamos resistir às grandes tribulações!
Bom domingo!
Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas.
Boa tarde!
O título da postagem de hoje é o nome de um livro que li,há uns três anos atrás,do rabino Harold Kushner.Desde o tempo em que estudava teologia,Harold ficou intrigado com o "Livro de Jó".Já rabino,consolava as pessoas que passavam por dor e sofrimento,com muita compaixão.
Entretanto,foi quando soube que seu filho de três anos sofria de progéria,que se deparou com este questionamento: porque coisas ruins acontecem às pessoas boas,especialmente,se Deus é amor?Seu filho teve uma rara doença genética que provoca o envelhecimento precoce,levando à morte,geralmente,no início da adolescência.E esta doença mudou a pacata existência de Harold.Tanto que escreveu o livro.
Nele,o autor relata vários casos de pessoas que conheceu,que eram boas,e que sofreram infortúnios,algumas conseguindo se recuperar e outras não.
Alguns diriam que as pessoas recebem o que merecem,tentando dar um sentido às provações da vida.Será?
Harold cita o "Salmo92",hino de gratidão à Deus,pelo mundo maravilhoso e justo que Ele criou.Este salmo sugere que a vida pode ser iníqua a seres inocentes que sofrem pesados baques,mas que,decorrido o "Tempo de Deus",veremos a justiça emergir.Mas,às vezes,não é isso que observamos.Vemos pessoas boas atravessando uma vida de sofrimento e,depois,morrendo,sem nenhum consolo.
É fácil questionar a bondade de Deus quando estamos diante de uma tragédia,porque se Deus fosse realmente bom,não teria permitido que tal coisa acontecesse.É o que muita gente pensa.
O livro nos coloca num profundo questionamento,indagando,inclusive,por que muitas de nossas mais sinceras orações não são atendidas.O próprio autor responde que Deus não existe para responder às nossas demandas,mas é Ele que nos dá força,coragem e paciência para enfrentarmos os golpes da vida.
E,porque nossas desgraças não são obra Dele,podemos recorrer a Deus para sermos fortalecidos e confortados.Nossa interpelação será:-"Deus,vê o que acontece comigo.Podes me ajudar?"-e não como Jó:-"Deus,por que fazes isto comigo?".
Finalmente,o autor não esclarece por que nos acontecem coisas ruins.No entanto,declara que,mesmo nem sempre existindo uma razão para nossos infortúnios,se olharmos para a tragédia,fixando nossos olhos não no que perdemos,mas no espírito,sairemos enriquecidos.
Encerra o livro dizendo que saiu fortalecido da experiência com o filho,e que,agora,não tem medo de enfrentar o dia de amanhã.
Talvez,devêssemos dar graças a Deus pelos "invernos" da vida,pelas oportunidades de nos tornarmos melhores...Pois,se formos pensar,sempre temos mais a agradecer do que a pedir.
Bom findi!
O título da postagem de hoje é o nome de um livro que li,há uns três anos atrás,do rabino Harold Kushner.Desde o tempo em que estudava teologia,Harold ficou intrigado com o "Livro de Jó".Já rabino,consolava as pessoas que passavam por dor e sofrimento,com muita compaixão.
Entretanto,foi quando soube que seu filho de três anos sofria de progéria,que se deparou com este questionamento: porque coisas ruins acontecem às pessoas boas,especialmente,se Deus é amor?Seu filho teve uma rara doença genética que provoca o envelhecimento precoce,levando à morte,geralmente,no início da adolescência.E esta doença mudou a pacata existência de Harold.Tanto que escreveu o livro.
Nele,o autor relata vários casos de pessoas que conheceu,que eram boas,e que sofreram infortúnios,algumas conseguindo se recuperar e outras não.
Alguns diriam que as pessoas recebem o que merecem,tentando dar um sentido às provações da vida.Será?
Harold cita o "Salmo92",hino de gratidão à Deus,pelo mundo maravilhoso e justo que Ele criou.Este salmo sugere que a vida pode ser iníqua a seres inocentes que sofrem pesados baques,mas que,decorrido o "Tempo de Deus",veremos a justiça emergir.Mas,às vezes,não é isso que observamos.Vemos pessoas boas atravessando uma vida de sofrimento e,depois,morrendo,sem nenhum consolo.
É fácil questionar a bondade de Deus quando estamos diante de uma tragédia,porque se Deus fosse realmente bom,não teria permitido que tal coisa acontecesse.É o que muita gente pensa.
O livro nos coloca num profundo questionamento,indagando,inclusive,por que muitas de nossas mais sinceras orações não são atendidas.O próprio autor responde que Deus não existe para responder às nossas demandas,mas é Ele que nos dá força,coragem e paciência para enfrentarmos os golpes da vida.
E,porque nossas desgraças não são obra Dele,podemos recorrer a Deus para sermos fortalecidos e confortados.Nossa interpelação será:-"Deus,vê o que acontece comigo.Podes me ajudar?"-e não como Jó:-"Deus,por que fazes isto comigo?".
Finalmente,o autor não esclarece por que nos acontecem coisas ruins.No entanto,declara que,mesmo nem sempre existindo uma razão para nossos infortúnios,se olharmos para a tragédia,fixando nossos olhos não no que perdemos,mas no espírito,sairemos enriquecidos.
Encerra o livro dizendo que saiu fortalecido da experiência com o filho,e que,agora,não tem medo de enfrentar o dia de amanhã.
Talvez,devêssemos dar graças a Deus pelos "invernos" da vida,pelas oportunidades de nos tornarmos melhores...Pois,se formos pensar,sempre temos mais a agradecer do que a pedir.
Bom findi!
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Perdas & Danos
Boa tarde!
Às vezes,fico pensando que acontece tanta coisa com a gente que não deveria acontecer...
Mas,no fundo,tudo deve ter um porquê.Talvez a gente é que desconheça.
Sim,tudo tem um motivo para acontecer,pois Deus está no comando.
Saindo de uma clínica de imagem,onde fui fazer uns exames hoje,me reporto ao ano de 2014,antes do diagnóstico,quando eu achava que a minha saúde era de ferro.Eu era feliz e não sabia.
E,de repente,tudo muda!Agora eu sei o quanto sou frágil e tenho limitações.
Nunca mais será como antes.
É como eu digo: ficarei com uma corda no pescoço para sempre.Só que,nos primeiros cinco anos,estará mais apertada,na melhor das hipóteses.
E a gente muda,para melhor,espero...
E começa a fazer uma retrospectiva da vida,pensar melhor nas coisas.Entre os inúmeros efeitos colaterais,há tempo para a reflexão.
Diante de uma sentença de morte,tudo toma outra proporção.A gente dá valor às coisas que perdeu;às mínimas coisas.
A sensação de perda é devastadora.
Eu parei de trabalhar,de estudar,de viajar...
Tive momentos de desânimo,de quase perder a esperança...
Aí,me lembrava de dois filmes que assisti em 2014.Podem ver que adoro cinema!
Um é "Gravidade",com Sandra Bullock,indicada ao Oscar de melhor atriz,no papel da astronauta à deriva,no espaço.Quase no final,já cansada,ela recorda do filho que morreu,e resolve se entregar.Aí,aparece o "espectro"do personagem de George Clooney,que a questiona se ela vai usar a morte do filho como desculpa para desistir e esperar a morte.E ela acaba lutando e se esforçando,ao máximo,e,finalmente,consegue voltar à Terra.E se sente feliz por estar viva.
O outro é "Clube de Compras Dallas",onde Matthew McConaughey,que ganhou o Oscar de melhor ator,interpreta o personagem com AIDS.Levava uma vida desregrada,era promíscuo,bebia e fumava.Quando se dá conta de que,realmente,está doente,ocorre uma revolução na sua vida.Passa a ter uma vida saudável em vai em busca de uma cura para a sua doença,criando o que viria a ser um protótipo do coquetel contra o vírus.E vive mais uns anos.
Nos dois filmes,a mensagem é de superação.
A gente se acostuma com a zona de conforto e prefere não sair de lá.
Quando acontece alguma coisa ruim,a gente fica se perguntando onde foi que errou.
De qualquer maneira,o que interessa é a nossa atitude perante a situação.Vamos desistir ou lutar?
Me recordo de uma exposição de pinturas japonesas,no Museu de Arte Moderna,em NY,que visitei no início de 2013.Não foram as pinturas que me chamaram atenção,mas o que estava escrito,na parede,sobre a mostra de arte.Achei tão "legal" que até tirei uma foto,com o celular.
A foto,já apaguei.Mas,lembro que falava que o povo do Japão tinha sofrido muito com o bombardeio nuclear em Hiroshima e Nagasaki.Afinal,foi derrotado e devastado,no final da Segunda Grande Guerra.
Padeceu...
Mas,superou-se,apesar de toda tristeza e dor.E o Japão tornou-se a potência que é hoje.
Talvez,todas estas coisas tenham sido,para mim,"dicas"do que estava por vir e de como eu devia reagir.É o que eu penso.
E é o que eu tenho tentado fazer até agora.Me superar.
E não desistir.
Às vezes,fico pensando que acontece tanta coisa com a gente que não deveria acontecer...
Mas,no fundo,tudo deve ter um porquê.Talvez a gente é que desconheça.
Sim,tudo tem um motivo para acontecer,pois Deus está no comando.
Saindo de uma clínica de imagem,onde fui fazer uns exames hoje,me reporto ao ano de 2014,antes do diagnóstico,quando eu achava que a minha saúde era de ferro.Eu era feliz e não sabia.
E,de repente,tudo muda!Agora eu sei o quanto sou frágil e tenho limitações.
Nunca mais será como antes.
É como eu digo: ficarei com uma corda no pescoço para sempre.Só que,nos primeiros cinco anos,estará mais apertada,na melhor das hipóteses.
E a gente muda,para melhor,espero...
E começa a fazer uma retrospectiva da vida,pensar melhor nas coisas.Entre os inúmeros efeitos colaterais,há tempo para a reflexão.
Diante de uma sentença de morte,tudo toma outra proporção.A gente dá valor às coisas que perdeu;às mínimas coisas.
A sensação de perda é devastadora.
Eu parei de trabalhar,de estudar,de viajar...
Tive momentos de desânimo,de quase perder a esperança...
Aí,me lembrava de dois filmes que assisti em 2014.Podem ver que adoro cinema!
Um é "Gravidade",com Sandra Bullock,indicada ao Oscar de melhor atriz,no papel da astronauta à deriva,no espaço.Quase no final,já cansada,ela recorda do filho que morreu,e resolve se entregar.Aí,aparece o "espectro"do personagem de George Clooney,que a questiona se ela vai usar a morte do filho como desculpa para desistir e esperar a morte.E ela acaba lutando e se esforçando,ao máximo,e,finalmente,consegue voltar à Terra.E se sente feliz por estar viva.
O outro é "Clube de Compras Dallas",onde Matthew McConaughey,que ganhou o Oscar de melhor ator,interpreta o personagem com AIDS.Levava uma vida desregrada,era promíscuo,bebia e fumava.Quando se dá conta de que,realmente,está doente,ocorre uma revolução na sua vida.Passa a ter uma vida saudável em vai em busca de uma cura para a sua doença,criando o que viria a ser um protótipo do coquetel contra o vírus.E vive mais uns anos.
Nos dois filmes,a mensagem é de superação.
A gente se acostuma com a zona de conforto e prefere não sair de lá.
Quando acontece alguma coisa ruim,a gente fica se perguntando onde foi que errou.
De qualquer maneira,o que interessa é a nossa atitude perante a situação.Vamos desistir ou lutar?
Me recordo de uma exposição de pinturas japonesas,no Museu de Arte Moderna,em NY,que visitei no início de 2013.Não foram as pinturas que me chamaram atenção,mas o que estava escrito,na parede,sobre a mostra de arte.Achei tão "legal" que até tirei uma foto,com o celular.
A foto,já apaguei.Mas,lembro que falava que o povo do Japão tinha sofrido muito com o bombardeio nuclear em Hiroshima e Nagasaki.Afinal,foi derrotado e devastado,no final da Segunda Grande Guerra.
Padeceu...
Mas,superou-se,apesar de toda tristeza e dor.E o Japão tornou-se a potência que é hoje.
Talvez,todas estas coisas tenham sido,para mim,"dicas"do que estava por vir e de como eu devia reagir.É o que eu penso.
E é o que eu tenho tentado fazer até agora.Me superar.
E não desistir.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Ajustando a medicação
Bom dia!
Graças a Deus, a colonoscopia foi normal,sem alterações.O sangramento da mucosa intestinal deve ter sido causado pela fragilidade do tecido,por ação do medicamento.
Sendo assim,reduzimos a dose para 2 comprimidos de 12 em 12 horas.Ficou um pouco mais suportável,já que não tive mais sangramentos.As mãos e pés continuaram muito sensíveis e eu caminho e dígito,no teclado,com dificuldade.Mas,isto é de menos!
Também me sinto um pouco enjoada e com azia,sintomas muito comuns em vigência de quimioterapia.
Minha faxineira me pergunta,quando chega e não estou me sentindo bem,por que eu continuo a tomar esta medicação,se me faz tão mal e se os exames de imagem não evidenciaram mais o tumor.Esta pergunta,qualquer pessoa sensata faria.Aí,explico que é para prevenir que o tumor reapareça.E ela pergunta por que não esperar o tumor voltar,se voltar, e,então,tratá-lo?Respondo que,como sempre,o melhor é prevenir.Após uma recidiva,o tumor volta mais resistente ao tratamento e as doses têm que serem aumentadas ou se troca o protocolo de quimioterapia.
E,assim,vou seguindo,entre tonturas e quedas de pressão,caminhando como uma "pata",para não machucar muito os pés.Mas,não posso me queixar.Estou viva!E,bem ou mal,esta quimioterapia não me deixa tão enjoada quanto a outra.E o cabelo não cai!Pelo menos,não preciso ficar catando os fios o tempo todo.
Também tomo vitaminas,especialmente a D,ômega 3 e o N Tense e outros suplementos.
Gostaria de falar sobre este medicamento fitoterápico que,acho,me ajudou muito.
O N Tense,formulado nos EUA e vendido pela Rainforest Pharmacy,na Califórnia,é feito com plantas naturais da Floresta Amazônica,cujas propriedades mais importantes,neste caso,são as que seguem:
-Graviola: anti-cancerígena,anti-inflamatória e digestiva;
-Mulaca: anti-cancerígena,anti-infecciosa e anti-oxidante;
-Guacatonga: anti-infecciosa;
-Espinheira Santa: anti-cancerígena,analgésica e digestiva;
-Melão Amargo: anti-cancerígena,anti-inflamatória e anti-infecciosa;
-Vassourinha: anti-inflamatória,anti-infecciosa e digestiva;
-Unha de Gato: anti-infecciosa e anti-oxidante;
-Mutamba: potente anti-viral,sendo pesquisado para o combate à AIDS e à Febre Amarela.
Não vou cansar ninguém com pesquisas sobre estas plantas e citei apenas suas principais propriedades.No entanto,quem estiver passando por um problema parecido com o meu,vale dar uma "olhadinha" na internet e buscar informações sobre estes vegetais.Não estou sugerindo que abandonem a quimioterapia,já que a fitoterapia seria usada como coadjuvante.
Eu compro as cápsulas da Rainforest Pharmacy pela internet,por comodidade.Mas,se vocês quiserem,podem procurar as ervas e sementes aqui mesmo,no Brasil,pois elas são nativas da América Latina.
Olhem que "barbada"!
Por estas e outras,cada vez mais,me "apaixono"pela Amazônia,com sua biodiversidade ímpar!
Graças a Deus, a colonoscopia foi normal,sem alterações.O sangramento da mucosa intestinal deve ter sido causado pela fragilidade do tecido,por ação do medicamento.
Sendo assim,reduzimos a dose para 2 comprimidos de 12 em 12 horas.Ficou um pouco mais suportável,já que não tive mais sangramentos.As mãos e pés continuaram muito sensíveis e eu caminho e dígito,no teclado,com dificuldade.Mas,isto é de menos!
Também me sinto um pouco enjoada e com azia,sintomas muito comuns em vigência de quimioterapia.
Minha faxineira me pergunta,quando chega e não estou me sentindo bem,por que eu continuo a tomar esta medicação,se me faz tão mal e se os exames de imagem não evidenciaram mais o tumor.Esta pergunta,qualquer pessoa sensata faria.Aí,explico que é para prevenir que o tumor reapareça.E ela pergunta por que não esperar o tumor voltar,se voltar, e,então,tratá-lo?Respondo que,como sempre,o melhor é prevenir.Após uma recidiva,o tumor volta mais resistente ao tratamento e as doses têm que serem aumentadas ou se troca o protocolo de quimioterapia.
E,assim,vou seguindo,entre tonturas e quedas de pressão,caminhando como uma "pata",para não machucar muito os pés.Mas,não posso me queixar.Estou viva!E,bem ou mal,esta quimioterapia não me deixa tão enjoada quanto a outra.E o cabelo não cai!Pelo menos,não preciso ficar catando os fios o tempo todo.
Também tomo vitaminas,especialmente a D,ômega 3 e o N Tense e outros suplementos.
Gostaria de falar sobre este medicamento fitoterápico que,acho,me ajudou muito.
O N Tense,formulado nos EUA e vendido pela Rainforest Pharmacy,na Califórnia,é feito com plantas naturais da Floresta Amazônica,cujas propriedades mais importantes,neste caso,são as que seguem:
-Graviola: anti-cancerígena,anti-inflamatória e digestiva;
-Mulaca: anti-cancerígena,anti-infecciosa e anti-oxidante;
-Guacatonga: anti-infecciosa;
-Espinheira Santa: anti-cancerígena,analgésica e digestiva;
-Melão Amargo: anti-cancerígena,anti-inflamatória e anti-infecciosa;
-Vassourinha: anti-inflamatória,anti-infecciosa e digestiva;
-Unha de Gato: anti-infecciosa e anti-oxidante;
-Mutamba: potente anti-viral,sendo pesquisado para o combate à AIDS e à Febre Amarela.
Não vou cansar ninguém com pesquisas sobre estas plantas e citei apenas suas principais propriedades.No entanto,quem estiver passando por um problema parecido com o meu,vale dar uma "olhadinha" na internet e buscar informações sobre estes vegetais.Não estou sugerindo que abandonem a quimioterapia,já que a fitoterapia seria usada como coadjuvante.
Eu compro as cápsulas da Rainforest Pharmacy pela internet,por comodidade.Mas,se vocês quiserem,podem procurar as ervas e sementes aqui mesmo,no Brasil,pois elas são nativas da América Latina.
Olhem que "barbada"!
Por estas e outras,cada vez mais,me "apaixono"pela Amazônia,com sua biodiversidade ímpar!
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Não é fácil...
Boa tarde!
Retornando onde parei,eu ia começar o tratamento com o Xeloda e comprar um pacote turístico para o Caribe.Mas,aos poucos,fui caindo na real...
Apesar de ser em comprimidos,aparentemente "inofensivos",este "remedinho" é "venenoso"!
Já era de se esperar,pois,na bula,estava escrito que também é indicado como terapia única para alguns tipos de câncer de mama.
Apresentei quase os mesmo efeitos colaterais da quimioterapia anterior,em menor escala.No entanto,o que mais me prejudicou,foi a Síndrome Mão-Pé,ou eritrodisestesia palmo-plantar.
Como diz o nome,as palmas da mãos e as plantas dos pés sofrem uma ação que acaba causando uma "rachadura"da camada mais superior da derme,além de dor e vermelhidão,podendo formar úlceras na pele.
Isto afeta a capacidade de segurar objetos e andar,que passa a ser muito doloroso.
Sem falar que o uso desta medicação contraindica a exposição ao sol.
O Caribe já era!Fica para a próxima.
Os primeiros dias deste tratamento foram suportáveis,apesar do desconforto e limitação.
Usando bastante creme hidratante,os pés e as mão não ficam tão feios; só um pouco...
Não se sabe,exatamente,se a síndrome é efeito direto da medicação ou uma reação imunológica contrária às camadas mais externas da pele.Por isso,o que se faz é reduzir a dose ou fazer um intervalo maior que sete dias entre os ciclos,para diminuir a intensidade dos efeitos colaterais.
Lembram?
Eram 3 comprimidos pela manhã e 3 à noite,14 dias usando a medicação e fazendo um intervalo de 7 dias.
Eu até tentei usar os 3 comprimidos de 12 em 12 horas,mas,a mucosa intestinal ficou muito sensível e eu tive uma pequena hemorragia digestiva.Pequena,mas o susto foi grande!
A primeira coisa que pensei foi que o tumor tivesse reaparecido.
Falei com o proctologista e com o oncologista,suspendi a medicação e consultei com os dois no dia seguinte.Para eles,a hemorragia não teria sido causada por uma recidiva do tumor e,sim,pelos efeitos da medicação.Mas,o fato é que a gente se assusta!
Marquei uma colonoscopia para a semana seguinte e,dois dias antes,comecei o preparo necessário.
Não cheguei a passar fome,mas passei muita sede nas horas anteriores ao exame.
Não vou falar mal do preparo para evitar que as pessoas se utilizem desta desculpa e não façam a colonoscopia.
O preparo é chato,mas é um "bilhão" de vezes melhor do que ter câncer de cólon.
Então,pessoal na faixa dos 40 ou 50 anos,principalmente com familiar que teve tumor no intestino,vamos lá!
#partiucolono
Retornando onde parei,eu ia começar o tratamento com o Xeloda e comprar um pacote turístico para o Caribe.Mas,aos poucos,fui caindo na real...
Apesar de ser em comprimidos,aparentemente "inofensivos",este "remedinho" é "venenoso"!
Já era de se esperar,pois,na bula,estava escrito que também é indicado como terapia única para alguns tipos de câncer de mama.
Apresentei quase os mesmo efeitos colaterais da quimioterapia anterior,em menor escala.No entanto,o que mais me prejudicou,foi a Síndrome Mão-Pé,ou eritrodisestesia palmo-plantar.
Como diz o nome,as palmas da mãos e as plantas dos pés sofrem uma ação que acaba causando uma "rachadura"da camada mais superior da derme,além de dor e vermelhidão,podendo formar úlceras na pele.
Isto afeta a capacidade de segurar objetos e andar,que passa a ser muito doloroso.
Sem falar que o uso desta medicação contraindica a exposição ao sol.
O Caribe já era!Fica para a próxima.
Os primeiros dias deste tratamento foram suportáveis,apesar do desconforto e limitação.
Usando bastante creme hidratante,os pés e as mão não ficam tão feios; só um pouco...
Não se sabe,exatamente,se a síndrome é efeito direto da medicação ou uma reação imunológica contrária às camadas mais externas da pele.Por isso,o que se faz é reduzir a dose ou fazer um intervalo maior que sete dias entre os ciclos,para diminuir a intensidade dos efeitos colaterais.
Lembram?
Eram 3 comprimidos pela manhã e 3 à noite,14 dias usando a medicação e fazendo um intervalo de 7 dias.
Eu até tentei usar os 3 comprimidos de 12 em 12 horas,mas,a mucosa intestinal ficou muito sensível e eu tive uma pequena hemorragia digestiva.Pequena,mas o susto foi grande!
A primeira coisa que pensei foi que o tumor tivesse reaparecido.
Falei com o proctologista e com o oncologista,suspendi a medicação e consultei com os dois no dia seguinte.Para eles,a hemorragia não teria sido causada por uma recidiva do tumor e,sim,pelos efeitos da medicação.Mas,o fato é que a gente se assusta!
Marquei uma colonoscopia para a semana seguinte e,dois dias antes,comecei o preparo necessário.
Não cheguei a passar fome,mas passei muita sede nas horas anteriores ao exame.
Não vou falar mal do preparo para evitar que as pessoas se utilizem desta desculpa e não façam a colonoscopia.
O preparo é chato,mas é um "bilhão" de vezes melhor do que ter câncer de cólon.
Então,pessoal na faixa dos 40 ou 50 anos,principalmente com familiar que teve tumor no intestino,vamos lá!
#partiucolono
terça-feira, 12 de maio de 2015
Opera ou não opera?
Depois de cerca de um mês na expectativa,na praia,sem saber se teria que realizar uma cirurgia hepática,liguei para o meu oncologista.Aceitaria o que ele decidisse.
Ele havia estudado e discutido o meu caso com vários especialistas:cirurgiões,hepatologistas,proctologistas e oncologistas.
Não há como negar que ele também carregava um peso nos ombros,já que eu era colega (médica) e muita gente sabia da minha doença.Os colegas perguntavam a ele sobre a minha saúde e o meu tratamento.Acredito que ele decidiu pelo melhor e com muito carinho,como disse que faria.
Eu teria muita dificuldade de retomar o protocolo Folfox+Avastin.Só de entrar na clínica de oncologia e sentir o cheiro de medicação,que já "impregnou" o local,eu ficava enjoada.
Isto porque,mesmo não fazendo mais quimioterapia endovenosa,tenho que "limpar" o catéter com soro e heparina,periodicamente.
Quanto à cirurgia,apesar de o fígado ser um órgão que se regenera,também é muito vascularizado e, em qualquer intervenção,há um grande risco de hemorragia.Eu não gostaria de operar...
A minha surpresa é que ele optou por me prescrever quimioterapia via oral.Eu tomaria 3 comprimidos pela manhã e 3 à noite,por 14 dias e faria um intervalo de 7 dias,durante 4 meses.
Achei bom demais!Só me faltou soltar fogos de artifício!
Ele me falou,por telefone,o nome da medicação,o Xeloda,e eu fui "bisbilhotar" na internet.
Quase caí para trás quando vi o preço de uma caixa,com 120 comprimidos de 500mg,suficientes para 20 dias de tratamento: mais ou menos R$ 2.500,00 ???
A esta altura do campeonato,pensei: azar!Eu pago!
Mas,e quem não dispõe deste valor?Morre?
Eu sei que os laboratórios investem muito em pesquisa e querem ter um retorno financeiro,mas isto é demais.
Em Porto Alegre,no consultório,meu oncologista disse que o meu convênio me cederia a medicação e que cada ciclo de quimioterapia que eu havia realizado chegava perto de R$ 40.000,00!!!
Isto mesmo!Novamente,me pergunto: e quem não tem este dinheiro?
Quem não tem,aguarda os 60 dias do SUS.Mas a doença não espera...
De posse da medicação,achei que o tratamento seria uma "barbada",como sempre acho.
E sempre acabo me frustrando...
Eu queria viajar.Há dois anos não tirava férias.Queria ir ao Caribe,depois de tanto sofrimento.
Eu tinha lido a bula do medicamente na internet,mas achei que,com sorte,não teria nenhum efeito colateral muito importante,que me limitasse.
Já tinha orçamentos de vários pacotes de turismo e tratei de comprar um maiô novo para viajar.Sim,para proteger do sol a cicatriz na barriga,não usaria biquíni.
Minha mãe achava mais prudente não comprar um pacote de viagem sem ter iniciado o tratamento e conferido os possíveis efeitos colaterais.Eu corria o risco de pagar a viagem e não poder viajar,de novo!
Lembram do congresso em Fortaleza?Pois é.Perdi...
Mas eu queria viajar e "espairecer" a cabeça.
Ele havia estudado e discutido o meu caso com vários especialistas:cirurgiões,hepatologistas,proctologistas e oncologistas.
Não há como negar que ele também carregava um peso nos ombros,já que eu era colega (médica) e muita gente sabia da minha doença.Os colegas perguntavam a ele sobre a minha saúde e o meu tratamento.Acredito que ele decidiu pelo melhor e com muito carinho,como disse que faria.
Eu teria muita dificuldade de retomar o protocolo Folfox+Avastin.Só de entrar na clínica de oncologia e sentir o cheiro de medicação,que já "impregnou" o local,eu ficava enjoada.
Isto porque,mesmo não fazendo mais quimioterapia endovenosa,tenho que "limpar" o catéter com soro e heparina,periodicamente.
Quanto à cirurgia,apesar de o fígado ser um órgão que se regenera,também é muito vascularizado e, em qualquer intervenção,há um grande risco de hemorragia.Eu não gostaria de operar...
A minha surpresa é que ele optou por me prescrever quimioterapia via oral.Eu tomaria 3 comprimidos pela manhã e 3 à noite,por 14 dias e faria um intervalo de 7 dias,durante 4 meses.
Achei bom demais!Só me faltou soltar fogos de artifício!
Ele me falou,por telefone,o nome da medicação,o Xeloda,e eu fui "bisbilhotar" na internet.
Quase caí para trás quando vi o preço de uma caixa,com 120 comprimidos de 500mg,suficientes para 20 dias de tratamento: mais ou menos R$ 2.500,00 ???
A esta altura do campeonato,pensei: azar!Eu pago!
Mas,e quem não dispõe deste valor?Morre?
Eu sei que os laboratórios investem muito em pesquisa e querem ter um retorno financeiro,mas isto é demais.
Em Porto Alegre,no consultório,meu oncologista disse que o meu convênio me cederia a medicação e que cada ciclo de quimioterapia que eu havia realizado chegava perto de R$ 40.000,00!!!
Isto mesmo!Novamente,me pergunto: e quem não tem este dinheiro?
Quem não tem,aguarda os 60 dias do SUS.Mas a doença não espera...
De posse da medicação,achei que o tratamento seria uma "barbada",como sempre acho.
E sempre acabo me frustrando...
Eu queria viajar.Há dois anos não tirava férias.Queria ir ao Caribe,depois de tanto sofrimento.
Eu tinha lido a bula do medicamente na internet,mas achei que,com sorte,não teria nenhum efeito colateral muito importante,que me limitasse.
Já tinha orçamentos de vários pacotes de turismo e tratei de comprar um maiô novo para viajar.Sim,para proteger do sol a cicatriz na barriga,não usaria biquíni.
Minha mãe achava mais prudente não comprar um pacote de viagem sem ter iniciado o tratamento e conferido os possíveis efeitos colaterais.Eu corria o risco de pagar a viagem e não poder viajar,de novo!
Lembram do congresso em Fortaleza?Pois é.Perdi...
Mas eu queria viajar e "espairecer" a cabeça.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Cansada do tratamento...
Boa noite!
Ontem,parei no relato do quarto ciclo.
Retomando a "prosa",o quinto ciclo de quimioterapia foi,ainda,pior que o anterior.
Fiquei muito enjoada,sem falar nos outros efeitos.O sistema nervoso foi muito atingido,ocorrendo tonturas e desorientação transitória.Sentia,também,dor e formigamento nos membros superiores e inferiores.
Já estava ficando "saturada"desta quimioterapia e disse ao meu oncologista que iria fazer uma pausa para o Natal, o meu aniversário e a passagem para o Ano Novo,todos em dezembro.E,assim,foi.
Magra,com pouco cabelo e com muita fadiga,passei o resto do mês de dezembro na praia,comemorando.
Comemorando que estava viva,completando "cinqüentinha".
Mais animada,em janeiro,voltei a Porto Alegre para fazer o sexto ciclo,que era para ser o antepenúltimo.
Depois do sexto "bombardeio",disse ao meu oncologista que não iria continuar com a quimioterapia endovenosa,Folfox+Avastin,nem se me dessem uma viagem de volta ao mundo,durante um mês,e muitos dólares para as compras.
Ele achou engraçado e me solicitou um PET-CT,que é uma mistura de tomografia e cintilografia,para ver se havia algum resquício do tumor.
O plano era realizar uma cirurgia hepática,retirando o tecido referente aos nódulos metastáticos,que não estavam mais lá.Ou seja,mesmo que o meu exame desse "zerado",como disse o meu oncologista,o procedimento mais provável seria retirar este tecido hepático.
No hospital,no dia do exame,pedi para falar com a radiologista,que era a mesma que interpretou o primeiro PET-CT.Tendo me reconhecido,ela comentou que a quimioterapia tinha,realmente,me debilitado muito.
Disse a ela que não queria fazer a cirurgia de fígado e que esperava que o resultado do exame fosse "normal",sem tumor.Fiquei pensando,depois,que eu não deveria ter falado com ela.De que adiantava?Ela não podia fazer nada para impedir uma cirurgia,caso fosse indicada pelos médicos.A obrigação dela era interpretar o exame corretamente.
No entanto,uma coisa ela fez: um laudo definitivo.Não ficou "em cima do muro".
Na interpretação do meu exame constava que não existiam mais evidências do tumor detectado no PET-CT anterior.Senti "firmeza"!
Meu oncologista gostou do resultado e eu AMEI!Agradeci muito a Deus!
Entretanto,a rotina médica seria a cirurgia hepática.Meu oncologista me disse que ia estudar o meu caso com carinho,apresentá-lo ao hepatologista e ao cirurgião.Na verdade,ele fez mais do que isto;apresentou como caso clínico,no hospital.Ele queria ter certeza de estar fazendo o melhor para mim.Me mandou tirar uns dias de "férias" do tratamento,enquanto decidia o que iria ser feito.
Mais uma aflição!Outra cirurgia,depois de tudo!
Mas,novamente,pedi a Deus que me livrasse de mais essa,embora concordasse com a vontade Dele.
Já estava até aceitando o fato de levar mais uma facada no abdome.
Que fosse feito o melhor,então!
Até amanhã,pessoal!
Ontem,parei no relato do quarto ciclo.
Retomando a "prosa",o quinto ciclo de quimioterapia foi,ainda,pior que o anterior.
Fiquei muito enjoada,sem falar nos outros efeitos.O sistema nervoso foi muito atingido,ocorrendo tonturas e desorientação transitória.Sentia,também,dor e formigamento nos membros superiores e inferiores.
Já estava ficando "saturada"desta quimioterapia e disse ao meu oncologista que iria fazer uma pausa para o Natal, o meu aniversário e a passagem para o Ano Novo,todos em dezembro.E,assim,foi.
Magra,com pouco cabelo e com muita fadiga,passei o resto do mês de dezembro na praia,comemorando.
Comemorando que estava viva,completando "cinqüentinha".
Mais animada,em janeiro,voltei a Porto Alegre para fazer o sexto ciclo,que era para ser o antepenúltimo.
Depois do sexto "bombardeio",disse ao meu oncologista que não iria continuar com a quimioterapia endovenosa,Folfox+Avastin,nem se me dessem uma viagem de volta ao mundo,durante um mês,e muitos dólares para as compras.
Ele achou engraçado e me solicitou um PET-CT,que é uma mistura de tomografia e cintilografia,para ver se havia algum resquício do tumor.
O plano era realizar uma cirurgia hepática,retirando o tecido referente aos nódulos metastáticos,que não estavam mais lá.Ou seja,mesmo que o meu exame desse "zerado",como disse o meu oncologista,o procedimento mais provável seria retirar este tecido hepático.
No hospital,no dia do exame,pedi para falar com a radiologista,que era a mesma que interpretou o primeiro PET-CT.Tendo me reconhecido,ela comentou que a quimioterapia tinha,realmente,me debilitado muito.
Disse a ela que não queria fazer a cirurgia de fígado e que esperava que o resultado do exame fosse "normal",sem tumor.Fiquei pensando,depois,que eu não deveria ter falado com ela.De que adiantava?Ela não podia fazer nada para impedir uma cirurgia,caso fosse indicada pelos médicos.A obrigação dela era interpretar o exame corretamente.
No entanto,uma coisa ela fez: um laudo definitivo.Não ficou "em cima do muro".
Na interpretação do meu exame constava que não existiam mais evidências do tumor detectado no PET-CT anterior.Senti "firmeza"!
Meu oncologista gostou do resultado e eu AMEI!Agradeci muito a Deus!
Entretanto,a rotina médica seria a cirurgia hepática.Meu oncologista me disse que ia estudar o meu caso com carinho,apresentá-lo ao hepatologista e ao cirurgião.Na verdade,ele fez mais do que isto;apresentou como caso clínico,no hospital.Ele queria ter certeza de estar fazendo o melhor para mim.Me mandou tirar uns dias de "férias" do tratamento,enquanto decidia o que iria ser feito.
Mais uma aflição!Outra cirurgia,depois de tudo!
Mas,novamente,pedi a Deus que me livrasse de mais essa,embora concordasse com a vontade Dele.
Já estava até aceitando o fato de levar mais uma facada no abdome.
Que fosse feito o melhor,então!
Até amanhã,pessoal!
domingo, 10 de maio de 2015
E a luta continua.
Retomando o assunto,apesar do resultado surpreendente dos meus exames de imagem,após 3 ciclos de quimioterapia,continuei o tratamento até o fim.Ou quase...
Depois de 60 dias de intervalo,achei que o meu organismo toleraria melhor a medicação.
Mas,ocorreu o contrário.O Nausedron já não fazia mais efeito contra os enjôos.Acabei ficando,temporariamente,intolerante à lactose já que os quimioterápicos faziam uma "raspagem"na mucosa do meu aparelho digestivo.Juntando à gastrite,ao refluxo,à falta de apetite,eu ficava cada vez mais magra e fraca.Pelo menos,o N Tense já tinha começado a fortalecer o sistema imunológico e os glóbulos brancos não caíam tanto.
Depois do quarto ciclo,o meu oncologista liberou a dieta para que eu pudesse suportar o tratamento.
Como já mencionei,muita gente se mobilizou para entrar em contato comigo e me dar uma "força",quando ficaram sabendo da minha doença.Inclusive,colegas e amigos de infância;gente que eu não via há muito tempo.Mais uma vez,agradeço o carinho de todos.Em especial,de uma pessoa.
Um amigo,que morava na zona sul de Porto Alegre,onde morei por muito tempo.Ele aproximou e foi me visitar.Nós jogávamos tênis,quando éramos adolescentes e eu já o conhecia de longa data.
Me levou,de presente,um livro de poesias do Mário Quintana,porque lembrou que eu gostava deste nosso grande poeta gaúcho.E decidiu me apoiar nesta jornada,sempre tentando elevar o meu "astral".Chegou a ir ao templo budista,na cidade de Três Coroas,buscando "energias positivas" para me transmitir.
E parece que deu certo!Pelo menos,até hoje...
Me aguentou nos momentos mais difíceis,quando eu tinha medo e ficava introspectiva, e,também, comemorou comigo o meu aniversário de 50 anos e a entrada de 2015.
Quando eu estava triste,me levava a um show ou a um cinema.Quando vi,estava indo assistir o "Guri de Uruguaiana",no anfiteatro Araújo Viana.Me deu uma camiseta do Sport Clube Internacional,que eu cheguei a vestir,quando assistimos um "Gre-Nal".Mesmo depois de eu dizer,várias vezes,que não gostava muito de futebol.Me ganhou no cansaço.E no carinho e na dedicação.
Pois é...
Conforme já tinha referido,anteriormente,Deus nos manda anjos.
Anjos que nos ajudam a seguir em frente,a caminhar no escuro,a não desistir...
Ainda bem!Pois tornam a nossa vida mais alegre e o nosso fardo mais suave.
Obrigada a todos vocês,que,de uma forma ou de outra,foram ou são meus anjos.
Principalmente tu,Hugo!
Continuem acompanhando os próximos capítulos,porque amanhã tem mais!
Boa noite!
Depois de 60 dias de intervalo,achei que o meu organismo toleraria melhor a medicação.
Mas,ocorreu o contrário.O Nausedron já não fazia mais efeito contra os enjôos.Acabei ficando,temporariamente,intolerante à lactose já que os quimioterápicos faziam uma "raspagem"na mucosa do meu aparelho digestivo.Juntando à gastrite,ao refluxo,à falta de apetite,eu ficava cada vez mais magra e fraca.Pelo menos,o N Tense já tinha começado a fortalecer o sistema imunológico e os glóbulos brancos não caíam tanto.
Depois do quarto ciclo,o meu oncologista liberou a dieta para que eu pudesse suportar o tratamento.
Como já mencionei,muita gente se mobilizou para entrar em contato comigo e me dar uma "força",quando ficaram sabendo da minha doença.Inclusive,colegas e amigos de infância;gente que eu não via há muito tempo.Mais uma vez,agradeço o carinho de todos.Em especial,de uma pessoa.
Um amigo,que morava na zona sul de Porto Alegre,onde morei por muito tempo.Ele aproximou e foi me visitar.Nós jogávamos tênis,quando éramos adolescentes e eu já o conhecia de longa data.
Me levou,de presente,um livro de poesias do Mário Quintana,porque lembrou que eu gostava deste nosso grande poeta gaúcho.E decidiu me apoiar nesta jornada,sempre tentando elevar o meu "astral".Chegou a ir ao templo budista,na cidade de Três Coroas,buscando "energias positivas" para me transmitir.
E parece que deu certo!Pelo menos,até hoje...
Me aguentou nos momentos mais difíceis,quando eu tinha medo e ficava introspectiva, e,também, comemorou comigo o meu aniversário de 50 anos e a entrada de 2015.
Quando eu estava triste,me levava a um show ou a um cinema.Quando vi,estava indo assistir o "Guri de Uruguaiana",no anfiteatro Araújo Viana.Me deu uma camiseta do Sport Clube Internacional,que eu cheguei a vestir,quando assistimos um "Gre-Nal".Mesmo depois de eu dizer,várias vezes,que não gostava muito de futebol.Me ganhou no cansaço.E no carinho e na dedicação.
Pois é...
Conforme já tinha referido,anteriormente,Deus nos manda anjos.
Anjos que nos ajudam a seguir em frente,a caminhar no escuro,a não desistir...
Ainda bem!Pois tornam a nossa vida mais alegre e o nosso fardo mais suave.
Obrigada a todos vocês,que,de uma forma ou de outra,foram ou são meus anjos.
Principalmente tu,Hugo!
Continuem acompanhando os próximos capítulos,porque amanhã tem mais!
Boa noite!
sábado, 9 de maio de 2015
Ainda bem que não é comigo...ou é?
Agora,me vem à memória uma reportagem que li e gostaria de compartilhar com vocês.
Uma moça,natural e moradora do Rio de Janeiro,escreveu um breve resumo da sua história em uma revista feminina há alguns anos atrás.E me fez pensar...
Era uma pessoal "normal",com saúde,família,namorado,curso superior,trabalho,etc...até o dia em que sofreu um acidente de carro.E tornou-se uma deficiente física.Estou usando esta nova nomenclatura,atualmente aceita como a mais correta (pelo menos,foi o que eu li),porque referem que uma pessoa não é portadora de deficiência.É verdade;necessidade não se porta,se tem.
Inicialmente,ficou chocada quando recebeu a notícia de que tinha ficado paraplégica.Seu mundo tinha ficado restrito.Começou a sentir,na pele,as dificuldades que um deficiente físico tem que enfrentar diariamente.No simples dia a dia,estas pessoas são obrigadas a lutar como titãs.Lutar para se locomoverem,lutar para tomarem um banho,lutar para pegarem um ônibus,lutar por um emprego,lutar para serem tratadas com dignidade,lutar para receberem atenção e carinho.Sim,porque sem atenção e carinho o ser humano não sobrevive.Ninguém consegue.
Enfim,lutar para serem tratadas como pessoas ditas "normais",com todos os seus deveres e direitos de cidadãos.
Pois é...
Aí,esta moça viu "o que era bom para a tosse"!
Mas,ao invés de se fazer de vítima,passou a batalhar pelos direitos dos deficientes.Se não me engano,se candidatou a um cargo de vereadora ou deputada e foi eleita.Começou a elaborar leis que criassem igualdade de oportunidades para os deficientes.Porque não basta que eles tenham deveres e direitos iguais.
A meu ver,estas pessoas precisam ser auxiliadas por terem deficiência.Não como vítimas,nem como "coitadinhos".Mas,com bondade e misericórdia.Como Jesus fazia...
O quê?Eu vou mudar o regulamento para favorecer alguns?Negativo!Tratamento igual para todos,sem exceções!
Ok,até o dia em que nós estivermos na condição de exceção...Isso dói!
E,que tal,se antes que isso aconteça,nós começarmos a ser mais bondosos,gentis e piedosos com os outros?
Que tal ajudarmos as pessoas antes que elas nos peçam?Que tal sermos voluntários?
Que tal espalhar o amor,deixar o orgulho e a presunção de lado?
Exatamente,pois não somos melhores que ninguém.
Todos nós viraremos pó!Alguém duvida disto?
O pior é que eu acho que tem gente que duvida,a julgar pelo comportamento que apresenta...
Alguns têm pela clara,outros escura.Uns têm o cabelo assim,outros"assado"...E por aí,vai.
Mas,para a surpresa de alguns,declaro,como médica,que a anatomia da espécie humana é toda igual.E a fisiologia também.E os sentimentos também.
Já que estamos todos no mesmo barco,por que não nos ajudamos mutuamente?
Todos sairíamos ganhando,com certeza.
Um pouco de abnegação e solidariedade não faz mal a ninguém.
E,por falar em abnegação,gostaria de cumprimentar todas as mães pelo seu dia,especialmente a minha!
Parabéns àquelas que dão a vida aos seus filhos e,também,pelas que dão suas próprias vidas por eles.
Uma moça,natural e moradora do Rio de Janeiro,escreveu um breve resumo da sua história em uma revista feminina há alguns anos atrás.E me fez pensar...
Era uma pessoal "normal",com saúde,família,namorado,curso superior,trabalho,etc...até o dia em que sofreu um acidente de carro.E tornou-se uma deficiente física.Estou usando esta nova nomenclatura,atualmente aceita como a mais correta (pelo menos,foi o que eu li),porque referem que uma pessoa não é portadora de deficiência.É verdade;necessidade não se porta,se tem.
Inicialmente,ficou chocada quando recebeu a notícia de que tinha ficado paraplégica.Seu mundo tinha ficado restrito.Começou a sentir,na pele,as dificuldades que um deficiente físico tem que enfrentar diariamente.No simples dia a dia,estas pessoas são obrigadas a lutar como titãs.Lutar para se locomoverem,lutar para tomarem um banho,lutar para pegarem um ônibus,lutar por um emprego,lutar para serem tratadas com dignidade,lutar para receberem atenção e carinho.Sim,porque sem atenção e carinho o ser humano não sobrevive.Ninguém consegue.
Enfim,lutar para serem tratadas como pessoas ditas "normais",com todos os seus deveres e direitos de cidadãos.
Pois é...
Aí,esta moça viu "o que era bom para a tosse"!
Mas,ao invés de se fazer de vítima,passou a batalhar pelos direitos dos deficientes.Se não me engano,se candidatou a um cargo de vereadora ou deputada e foi eleita.Começou a elaborar leis que criassem igualdade de oportunidades para os deficientes.Porque não basta que eles tenham deveres e direitos iguais.
A meu ver,estas pessoas precisam ser auxiliadas por terem deficiência.Não como vítimas,nem como "coitadinhos".Mas,com bondade e misericórdia.Como Jesus fazia...
O quê?Eu vou mudar o regulamento para favorecer alguns?Negativo!Tratamento igual para todos,sem exceções!
Ok,até o dia em que nós estivermos na condição de exceção...Isso dói!
E,que tal,se antes que isso aconteça,nós começarmos a ser mais bondosos,gentis e piedosos com os outros?
Que tal ajudarmos as pessoas antes que elas nos peçam?Que tal sermos voluntários?
Que tal espalhar o amor,deixar o orgulho e a presunção de lado?
Exatamente,pois não somos melhores que ninguém.
Todos nós viraremos pó!Alguém duvida disto?
O pior é que eu acho que tem gente que duvida,a julgar pelo comportamento que apresenta...
Alguns têm pela clara,outros escura.Uns têm o cabelo assim,outros"assado"...E por aí,vai.
Mas,para a surpresa de alguns,declaro,como médica,que a anatomia da espécie humana é toda igual.E a fisiologia também.E os sentimentos também.
Já que estamos todos no mesmo barco,por que não nos ajudamos mutuamente?
Todos sairíamos ganhando,com certeza.
Um pouco de abnegação e solidariedade não faz mal a ninguém.
E,por falar em abnegação,gostaria de cumprimentar todas as mães pelo seu dia,especialmente a minha!
Parabéns àquelas que dão a vida aos seus filhos e,também,pelas que dão suas próprias vidas por eles.
Câncer x Quimioterapia: o que mata mais?
Bom dia!
Lembrando dos vários amigos e conhecidos que faleceram em decorrência das complicações da quimioterapia,hoje,quero abordar este tema.
Sempre argumento com meu oncologista que a quimioterapia é "maligna" e que o Avastin,o bevacizumabe,deveria se chamar"Devastatin",tamanha a devastação que causa no organismo.
E ele me responde que a quimioterapia,em muitos casos,prolonga bastante a vida do paciente,ainda que não traga a cura.Verdade!
Mas não é fácil...
A cada ciclo,além de todos os efeitos colaterais,eu sentia a ardência no couro cabeludo e sabia que,imediatamente,se seguiria a queda de muito cabelo.O cabelo caía em "bolos",especialmente quando era lavado.Caía até espontaneamente,quando eu virava a cabeça para o lado.
Como eu sempre tive "muuuuito" cabelo,quem me conheceu sabe,e,também,porque pedi à Nossa Senhora que não deixasse que todos os fios caíssem,ainda me sobrou cabelo.E não tive falhas no couro cabeludo.Quando eu ia à clínica,fazer os ciclos de quimioterapia,as outras pacientes,usando perucas e lenços na cabeça,me olhavam com espanto.Não conseguiam entender como eu ainda tinha um "cabelão",mesmo usando o Avastin.Segundo minha cabeleireira de anos,eu,agora,tinha a quantidade de cabelo de uma pessoa "normal".
A estética é uma questão irrelevante diante da morte mas,citei o exemplo do cabelo,por ser mais simples de ser compreendido.
Minha intenção é mostrar como é difícil resistir aos efeitos adversos da quimioterapia,que atingem todo o organismo e o enfraquecem.Nem o sistema nervoso central escapa;aliás,talvez seja o mais atingido.
Sem falar no abatimento moral,que,muitas vezes,nos faz quase perder a esperança.Digo quase,mas sei de casos de "colegas" de quimioterapia que tentaram o suicídio.
Grande parte dos tratamentos impossibilitam o paciente de ter uma vida normal.Paramos de trabalhar e nos sentimos inúteis.Não temos forças para fazer uma atividade física e quase "invejamos" aqueles que têm saúde.Têm saúde e não vão à academia por preguiça...Saiam da inércia,vocês que são saudáveis!
Somos privados dos prazeres da boa culinária e adotamos uma dieta quase sem gosto,com baixo índice glicêmico,visando não estimular as células tumorais.
Os médicos,muitas vezes,nos proíbem de viajar.E com razão!Corremos o risco de complicações e podemos ter dificuldades de aceso ao atendimento de emergência.E,também,porque alguns não suportariam um simples city tour.
Nosso corpo emagrece ou incha,dependendo das doses de corticóide e outras implicações.Nunca sabemos que roupa vamos usar...Melhor termos peças de todas as numerações.
A "irrelevante estética" também nos aflige.Num mundo de culto à beleza,somos relegados a quinto plano."Carta fora do baralho".Somos invisíveis.
Isso sem falar na náusea,na dor,na cefaléia,na fadiga,na baixa imunidade,que faz com que uma simples gripe nos ameace a vida.Sem falar na depressão ou na ansiedade.E na revolta,que muitos sentem.E do medo "básico",que irá nos acompanhar por,no mínimo,5 anos.
E você,que estava se queixando da vida,qual era,mesmo,o seu problema?
Bom "findi" a todos!
Lembrando dos vários amigos e conhecidos que faleceram em decorrência das complicações da quimioterapia,hoje,quero abordar este tema.
Sempre argumento com meu oncologista que a quimioterapia é "maligna" e que o Avastin,o bevacizumabe,deveria se chamar"Devastatin",tamanha a devastação que causa no organismo.
E ele me responde que a quimioterapia,em muitos casos,prolonga bastante a vida do paciente,ainda que não traga a cura.Verdade!
Mas não é fácil...
A cada ciclo,além de todos os efeitos colaterais,eu sentia a ardência no couro cabeludo e sabia que,imediatamente,se seguiria a queda de muito cabelo.O cabelo caía em "bolos",especialmente quando era lavado.Caía até espontaneamente,quando eu virava a cabeça para o lado.
Como eu sempre tive "muuuuito" cabelo,quem me conheceu sabe,e,também,porque pedi à Nossa Senhora que não deixasse que todos os fios caíssem,ainda me sobrou cabelo.E não tive falhas no couro cabeludo.Quando eu ia à clínica,fazer os ciclos de quimioterapia,as outras pacientes,usando perucas e lenços na cabeça,me olhavam com espanto.Não conseguiam entender como eu ainda tinha um "cabelão",mesmo usando o Avastin.Segundo minha cabeleireira de anos,eu,agora,tinha a quantidade de cabelo de uma pessoa "normal".
A estética é uma questão irrelevante diante da morte mas,citei o exemplo do cabelo,por ser mais simples de ser compreendido.
Minha intenção é mostrar como é difícil resistir aos efeitos adversos da quimioterapia,que atingem todo o organismo e o enfraquecem.Nem o sistema nervoso central escapa;aliás,talvez seja o mais atingido.
Sem falar no abatimento moral,que,muitas vezes,nos faz quase perder a esperança.Digo quase,mas sei de casos de "colegas" de quimioterapia que tentaram o suicídio.
Grande parte dos tratamentos impossibilitam o paciente de ter uma vida normal.Paramos de trabalhar e nos sentimos inúteis.Não temos forças para fazer uma atividade física e quase "invejamos" aqueles que têm saúde.Têm saúde e não vão à academia por preguiça...Saiam da inércia,vocês que são saudáveis!
Somos privados dos prazeres da boa culinária e adotamos uma dieta quase sem gosto,com baixo índice glicêmico,visando não estimular as células tumorais.
Os médicos,muitas vezes,nos proíbem de viajar.E com razão!Corremos o risco de complicações e podemos ter dificuldades de aceso ao atendimento de emergência.E,também,porque alguns não suportariam um simples city tour.
Nosso corpo emagrece ou incha,dependendo das doses de corticóide e outras implicações.Nunca sabemos que roupa vamos usar...Melhor termos peças de todas as numerações.
A "irrelevante estética" também nos aflige.Num mundo de culto à beleza,somos relegados a quinto plano."Carta fora do baralho".Somos invisíveis.
Isso sem falar na náusea,na dor,na cefaléia,na fadiga,na baixa imunidade,que faz com que uma simples gripe nos ameace a vida.Sem falar na depressão ou na ansiedade.E na revolta,que muitos sentem.E do medo "básico",que irá nos acompanhar por,no mínimo,5 anos.
E você,que estava se queixando da vida,qual era,mesmo,o seu problema?
Bom "findi" a todos!
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Sem Defesas
Bom dia!
Dando continuidade ao relato,realizei mais um ciclo de quimioterapia,enfrentando as dificuldades de sempre.
No entanto,após o terceiro ciclo,o meu sistema imunológico levou um "baque" e meus glóbulos brancos caíram bastante.Fiquei 60 dias sem poder continuar o tratamento devido à baixa imunidade.Toda segunda-feira,realizava coleta de hemograma no laboratório,com esperança de que os neutrófilos tivessem aumentado.
Só esperança...
Ficava extremamente desanimada cada vez que recebia um resultado insatisfatório.Tinha medo de que o tumor "se aproveitasse"da minha fragilidade e avançasse.
Um colega,que servia em Brasília,ao saber do meu caso,me mandou um e-mail recomendando o uso da graviola.Respondi que os meus irmãos já haviam me "intoxicado"com tudo que contivesse graviola.
Mas este colega me sugeria a ingesta de cápsulas contendo folha de graviola e outras plantas da Floresta Amazônica,produzidas na Califórnia.Ele havia descoberto estas cápsulas por acaso,no youtube e,como estava fazendo um curso nos Estados Unidos,adquiriu vários frascos e enviou ao Brasil,para um familiar doente.E havia constatado que a medicação "funcionava".
Após este período de imunodepressão,liguei para o meu colega solicitando informações de como comprar o N Tense (da Rainforest Pharmacy).Quero,aqui,agradecer a generosidade deste colega e amigo que me cedeu 7 frascos de medicação que ele havia comprado para o seu familiar e que estavam em Porto Alegre.Fiquei mais animada.
Orava muito e assistia missas,quando tinha condições físicas.Isto sem falar da reza do terço da misericórdia, diariamente.
Um dia,durante a missa,rezei para Jesus,na hora da Consagração,e pedi que Ele me curasse,se esta fosse a vontade de Deus.
Senti,no meu coração,que ficaria curada antes do fim do ano de 2014,mas que teria que passar por todas as provações de quimioterapia.Estava no mês de outubro.
No dia seguinte,fui confiante ao laboratório e,no final da tarde,chorei.Os neutrófilos continuavam em queda.
Durante a consulta com o meu oncologista que,além de competência,tem muita empatia e uma paciência de Jó,para me aguentar,argumentei que eu estava sofrendo muito e achava que o tumor estava "numa boa".Eu queria uma prova de que "ele" estivesse sentindo os efeitos da quimioterapia.Meu oncologista,para me tranquilizar,solicitou uma ecografia hepática,com o objetivo de acompanhar o comportamento das metástases no fígado.Fui à clínica de radiologia,levando os exames anteriores para a comparação.
Deitada na maca,observava a face preocupada do radiologista.Depois de algum tempo,não aguentei!Falei a ele que poderia me dizer a verdade,que eu estava prepara para ouvir.
Ele me disse que não estava conseguindo ver nenhum nódulo metastático no meu fígado,apesar do equipamento ser de última geração.Me mandou voltar à tarde,para fazer uma ressonância magnética.
Na tarde do dia seguinte,lá estava eu,ansiosa pelo laudo.
O resultado foi o mesmo da ecografia.As metástases detectadas nos exames anteriores não estavam mais lá,sugerindo a regressão do tumor.
Obrigada,meu Deus!
Mais um obstáculo vencido,mas a luta continuaria...
Dando continuidade ao relato,realizei mais um ciclo de quimioterapia,enfrentando as dificuldades de sempre.
No entanto,após o terceiro ciclo,o meu sistema imunológico levou um "baque" e meus glóbulos brancos caíram bastante.Fiquei 60 dias sem poder continuar o tratamento devido à baixa imunidade.Toda segunda-feira,realizava coleta de hemograma no laboratório,com esperança de que os neutrófilos tivessem aumentado.
Só esperança...
Ficava extremamente desanimada cada vez que recebia um resultado insatisfatório.Tinha medo de que o tumor "se aproveitasse"da minha fragilidade e avançasse.
Um colega,que servia em Brasília,ao saber do meu caso,me mandou um e-mail recomendando o uso da graviola.Respondi que os meus irmãos já haviam me "intoxicado"com tudo que contivesse graviola.
Mas este colega me sugeria a ingesta de cápsulas contendo folha de graviola e outras plantas da Floresta Amazônica,produzidas na Califórnia.Ele havia descoberto estas cápsulas por acaso,no youtube e,como estava fazendo um curso nos Estados Unidos,adquiriu vários frascos e enviou ao Brasil,para um familiar doente.E havia constatado que a medicação "funcionava".
Após este período de imunodepressão,liguei para o meu colega solicitando informações de como comprar o N Tense (da Rainforest Pharmacy).Quero,aqui,agradecer a generosidade deste colega e amigo que me cedeu 7 frascos de medicação que ele havia comprado para o seu familiar e que estavam em Porto Alegre.Fiquei mais animada.
Orava muito e assistia missas,quando tinha condições físicas.Isto sem falar da reza do terço da misericórdia, diariamente.
Um dia,durante a missa,rezei para Jesus,na hora da Consagração,e pedi que Ele me curasse,se esta fosse a vontade de Deus.
Senti,no meu coração,que ficaria curada antes do fim do ano de 2014,mas que teria que passar por todas as provações de quimioterapia.Estava no mês de outubro.
No dia seguinte,fui confiante ao laboratório e,no final da tarde,chorei.Os neutrófilos continuavam em queda.
Durante a consulta com o meu oncologista que,além de competência,tem muita empatia e uma paciência de Jó,para me aguentar,argumentei que eu estava sofrendo muito e achava que o tumor estava "numa boa".Eu queria uma prova de que "ele" estivesse sentindo os efeitos da quimioterapia.Meu oncologista,para me tranquilizar,solicitou uma ecografia hepática,com o objetivo de acompanhar o comportamento das metástases no fígado.Fui à clínica de radiologia,levando os exames anteriores para a comparação.
Deitada na maca,observava a face preocupada do radiologista.Depois de algum tempo,não aguentei!Falei a ele que poderia me dizer a verdade,que eu estava prepara para ouvir.
Ele me disse que não estava conseguindo ver nenhum nódulo metastático no meu fígado,apesar do equipamento ser de última geração.Me mandou voltar à tarde,para fazer uma ressonância magnética.
Na tarde do dia seguinte,lá estava eu,ansiosa pelo laudo.
O resultado foi o mesmo da ecografia.As metástases detectadas nos exames anteriores não estavam mais lá,sugerindo a regressão do tumor.
Obrigada,meu Deus!
Mais um obstáculo vencido,mas a luta continuaria...
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Blush Pink
Bom dia!
Acabei atrasando o capítulo de ontem,pois não sou de ferro.
Voltando ao assunto,estava com muito medo de morrer,e com razão.A minha situação era séria.Tinha gente morrendo pela mesma causa.
Antes de ficar doente,gostava de acessar blogs de moda,maquiagem e novidades,como o 2beauty,Petiscos e outros.Já tinha visto o Blush Pink como blog relacionado.Agora,aparecia com a etiqueta de "blog amigo do Oncoguia".Fui olhar!Era de uma moça que escrevia sobre estes assuntos de beleza e,de repente,descobriu-se com câncer de cólon.A partir dali,começou a escrever,diariamente,sobre o adenocarcinoma de cólon e seu tratamento.Assim ela se descrevia:
"Paranaense, 28 anos, filha dedicada, Nutricionista e Tecnóloga em Cosmetologia e Estética, cursando Agronomia, escorpiana, apaixonada, ama Deus, sua família, incluindo minha cachorrinha Nalim, o namorado Cleiton, a natureza e todas as pequenas maravilhas da vida. Busco ser feliz agora e detesto injustiças! Estou desde março de 2012 lutando contra um câncer de intestino com metástases hepáticas, por isso o blog que era voltado somente para a beleza, acabou se transformando mais em um diário nesse momento da minha vida."
A coragem e a fé desta moça,linda por fora e por dentro,me impressionaram.A humildade,a generosidade e a capacidade de se expor,mostrar sua fragilidade neste momento tão delicado,com a finalidade de ajudar o próximo,me marcou muito.E me deu coragem.Tanto,que falei para a minha mãe que,quando me recuperasse um pouco,eu também iria escrever um blog para encorajar as pessoas que estivessem passando por um câncer.
Esta moça sofreu toda sorte de intercorrências e efeitos colaterais mais graves e nunca se queixava.Sempre transmitindo mensagens positivas e de gratidão a Deus.
Sua passagem pela Terra foi breve,mas ela soube viver e amar intensamente,durante todos os dias de sua vida.
No final do blog,eu ficaria sabendo deste trágico desfecho.Chorei muito.Não é só a fé que determina o sucesso do tratamento;isto ela tinha de sobra.Entendi que Deus também tem um plano para nós e que o melhor que fazemos é aceitá-lo.E viver todos os dias que nos são dados com alegria,bondade,generosidade e solidariedade.Não estamos aqui tão somente para "aproveitar a vida","curtir o máximo",mas para nos tornarmos pessoas melhores.É preciso que saibamos evoluir espiritualmente,essa é a nossa meta.Mas,parece que muitos esquecem disto.Ou nem sabem disto.
No filme "Deus não está morto" há uma cena em que o filho,empresário,visita a mãe com Doença de Alzheimer e fica divagando sobre o destino dela.Ela tinha sido uma boa pessoa,feito caridade e,agora,se encontrava doente e inconsciente,abandonada numa casa geriátrica.Ele,por sua vez,sempre teve do bom e do melhor.Era ambicioso,só pensava em usufruir da vida e das pessoas.É interessante a resposta que a mãe dá a ele.Vejam o filme;não vou estragar a surpresa!
E,assim,entendi que o meu destino não me pertencia,nem os planos que eu fiz.
Passei no concurso,mas tive que adiar o curso.
Meu cabelo começou a cair...era triste.
Meu destino seria viver cada dia,da melhor maneira possível,e,sempre,agradecendo a Deus,pois tinha gente morrendo com o mesmo diagnóstico que eu.
No segundo ciclo de quimioterapia,tive sede,à noite,e retirei a água da geladeira para que não ficasse tão gelada e eu pudesse beber,evitando a dor na garganta,efeito colateral.Acontece que,no Rio Grande do Sul,no inverno,a temperatura ambiente é igual à da geladeira.Esperei um pouco e resolvi beber a água.Senti dor,azar...Mas o que eu não sabia é que também poderia ocorrer o fechamento da glote,causado pela frio.
Eu,que nunca tive asma e nem sabia o que era ficar sem ar,me desesperei.Sozinha,à noite,sem poder falar nem respirar,pensei em ir ao vizinho,bater na porta.No caminho,me agarrei a uma pequena imagem de Nossa Senhora,que teria sido da minha bisavó ou tataravó,e supliquei que me salvasse.Argumentei que eu carregava,numa correntinha de pescoço,a Medalha Milagrosa,que conferia cura de qualquer doença a quem a portasse com fé.
Nossa Senhora das Graças,em 1830,solicitou que Santa Catarina de Labouré cunhasse esta medalha,quando a cólera causava uma calamidade na Europa.Em Paris,me chamou a atenção a quantidade de doenças que tinham sido curadas através da fé na medalha,muitas escritas nos muros da igrejinha,incluindo o Mal de Pott(tuberculose vertebral).
Mais uma vez,Maria me tirou de uma enrascada!
Aos poucos,fui me acalmando e voltando a respirar.
Não é só Deus que é fiel;Nossa senhora também cumpre o que promete!
Abaixo,a medalha e o interior da capela.Alguns anos atrás,tive a graça de assistir uma missa lá,durante a qual chorei todo o tempo.Parecia que eu estava no céu!
Acabei atrasando o capítulo de ontem,pois não sou de ferro.
Voltando ao assunto,estava com muito medo de morrer,e com razão.A minha situação era séria.Tinha gente morrendo pela mesma causa.
Antes de ficar doente,gostava de acessar blogs de moda,maquiagem e novidades,como o 2beauty,Petiscos e outros.Já tinha visto o Blush Pink como blog relacionado.Agora,aparecia com a etiqueta de "blog amigo do Oncoguia".Fui olhar!Era de uma moça que escrevia sobre estes assuntos de beleza e,de repente,descobriu-se com câncer de cólon.A partir dali,começou a escrever,diariamente,sobre o adenocarcinoma de cólon e seu tratamento.Assim ela se descrevia:
"Paranaense, 28 anos, filha dedicada, Nutricionista e Tecnóloga em Cosmetologia e Estética, cursando Agronomia, escorpiana, apaixonada, ama Deus, sua família, incluindo minha cachorrinha Nalim, o namorado Cleiton, a natureza e todas as pequenas maravilhas da vida. Busco ser feliz agora e detesto injustiças! Estou desde março de 2012 lutando contra um câncer de intestino com metástases hepáticas, por isso o blog que era voltado somente para a beleza, acabou se transformando mais em um diário nesse momento da minha vida."
A coragem e a fé desta moça,linda por fora e por dentro,me impressionaram.A humildade,a generosidade e a capacidade de se expor,mostrar sua fragilidade neste momento tão delicado,com a finalidade de ajudar o próximo,me marcou muito.E me deu coragem.Tanto,que falei para a minha mãe que,quando me recuperasse um pouco,eu também iria escrever um blog para encorajar as pessoas que estivessem passando por um câncer.
Esta moça sofreu toda sorte de intercorrências e efeitos colaterais mais graves e nunca se queixava.Sempre transmitindo mensagens positivas e de gratidão a Deus.
Sua passagem pela Terra foi breve,mas ela soube viver e amar intensamente,durante todos os dias de sua vida.
No final do blog,eu ficaria sabendo deste trágico desfecho.Chorei muito.Não é só a fé que determina o sucesso do tratamento;isto ela tinha de sobra.Entendi que Deus também tem um plano para nós e que o melhor que fazemos é aceitá-lo.E viver todos os dias que nos são dados com alegria,bondade,generosidade e solidariedade.Não estamos aqui tão somente para "aproveitar a vida","curtir o máximo",mas para nos tornarmos pessoas melhores.É preciso que saibamos evoluir espiritualmente,essa é a nossa meta.Mas,parece que muitos esquecem disto.Ou nem sabem disto.
No filme "Deus não está morto" há uma cena em que o filho,empresário,visita a mãe com Doença de Alzheimer e fica divagando sobre o destino dela.Ela tinha sido uma boa pessoa,feito caridade e,agora,se encontrava doente e inconsciente,abandonada numa casa geriátrica.Ele,por sua vez,sempre teve do bom e do melhor.Era ambicioso,só pensava em usufruir da vida e das pessoas.É interessante a resposta que a mãe dá a ele.Vejam o filme;não vou estragar a surpresa!
E,assim,entendi que o meu destino não me pertencia,nem os planos que eu fiz.
Passei no concurso,mas tive que adiar o curso.
Meu cabelo começou a cair...era triste.
Meu destino seria viver cada dia,da melhor maneira possível,e,sempre,agradecendo a Deus,pois tinha gente morrendo com o mesmo diagnóstico que eu.
No segundo ciclo de quimioterapia,tive sede,à noite,e retirei a água da geladeira para que não ficasse tão gelada e eu pudesse beber,evitando a dor na garganta,efeito colateral.Acontece que,no Rio Grande do Sul,no inverno,a temperatura ambiente é igual à da geladeira.Esperei um pouco e resolvi beber a água.Senti dor,azar...Mas o que eu não sabia é que também poderia ocorrer o fechamento da glote,causado pela frio.
Eu,que nunca tive asma e nem sabia o que era ficar sem ar,me desesperei.Sozinha,à noite,sem poder falar nem respirar,pensei em ir ao vizinho,bater na porta.No caminho,me agarrei a uma pequena imagem de Nossa Senhora,que teria sido da minha bisavó ou tataravó,e supliquei que me salvasse.Argumentei que eu carregava,numa correntinha de pescoço,a Medalha Milagrosa,que conferia cura de qualquer doença a quem a portasse com fé.
Nossa Senhora das Graças,em 1830,solicitou que Santa Catarina de Labouré cunhasse esta medalha,quando a cólera causava uma calamidade na Europa.Em Paris,me chamou a atenção a quantidade de doenças que tinham sido curadas através da fé na medalha,muitas escritas nos muros da igrejinha,incluindo o Mal de Pott(tuberculose vertebral).
Mais uma vez,Maria me tirou de uma enrascada!
Aos poucos,fui me acalmando e voltando a respirar.
Não é só Deus que é fiel;Nossa senhora também cumpre o que promete!
Abaixo,a medalha e o interior da capela.Alguns anos atrás,tive a graça de assistir uma missa lá,durante a qual chorei todo o tempo.Parecia que eu estava no céu!
terça-feira, 5 de maio de 2015
Misericórdia,por favor...
Boa noite!
Cheguei há pouco da minha consulta com o oncologista.
Falávamos sobre como é difícil carregar este fardo nos ombros,o câncer.
Que doença cruel, que,cada vez mais,vem afetando as pessoas. Certamente, o aumento da incidência está relacionado aos nossos hábitos de vida atuais.
E como afeta os jovens,que são os que têm os piores prognósticos!
Perguntei sobre uma moça que tinha tumor de cólon com metástases hepáticas, como eu, só que mais avançado. Ela estava lutando,fazendo o mesmo protocolo que eu,o Folfox.
Fiquei sabendo que faleceu no mês passado.
Estou com uma sensação de soco no estômago até agora!
Na verdade,depois que fiquei doente,sofro muito quando fico sabendo que uma pessoa que estava em tratamento contra o câncer faleceu.
Mas,é a vida!
Que,apesar de tudo,é bela!
Vocês,que lêem o que eu escrevo,valorizem a sua saúde.Valorizem os pequenos momentos.Valorizem o convívio com as pessoas que vocês amam.E sejam misericordiosos.
Misericordiosos com as pessoas que estão doentes,que estão sofrendo.A qualquer momento elas podem ser retiradas para sempre do seu convívio.Não pensem que é fácil suportar o sofimento por saber que se tem câncer,fazer quimioterapia e ainda tentar ser"normal",trabalhar,cuidar dos filhos ou dos familiares idosos,continuar vivendo como se tudo estivesse bem.
O paciente com câncer não tem preferência na fila do banco,na fila do supermercado.Não tem vaga especial para estacionar.
Todos vêem que lhes falta o cabelo e até as sobrancelhas,mas azar é o dele.
Combina com o novo lema da sociedade atual:"Ema,ema,ema;cada um com seu problema!"
Até que um dia o problema vira nosso,ou de alguém muito próximo a nós.
Não estou querendo fazer chantagem emocional,ou coisa que o valha.Só gostaria que vocês se dessem contam que,o futuro,ninguém sabe.E as pessoas não estão aqui para sempre.Se são importantes para você,fale agora.Porque amanhã pode ser tarde.
E não julgue os que sofrem.Você não sabe do sofrimento deles.
E porque ninguém está livre de adoecer.
Cheguei há pouco da minha consulta com o oncologista.
Falávamos sobre como é difícil carregar este fardo nos ombros,o câncer.
Que doença cruel, que,cada vez mais,vem afetando as pessoas. Certamente, o aumento da incidência está relacionado aos nossos hábitos de vida atuais.
E como afeta os jovens,que são os que têm os piores prognósticos!
Perguntei sobre uma moça que tinha tumor de cólon com metástases hepáticas, como eu, só que mais avançado. Ela estava lutando,fazendo o mesmo protocolo que eu,o Folfox.
Fiquei sabendo que faleceu no mês passado.
Estou com uma sensação de soco no estômago até agora!
Na verdade,depois que fiquei doente,sofro muito quando fico sabendo que uma pessoa que estava em tratamento contra o câncer faleceu.
Mas,é a vida!
Que,apesar de tudo,é bela!
Vocês,que lêem o que eu escrevo,valorizem a sua saúde.Valorizem os pequenos momentos.Valorizem o convívio com as pessoas que vocês amam.E sejam misericordiosos.
Misericordiosos com as pessoas que estão doentes,que estão sofrendo.A qualquer momento elas podem ser retiradas para sempre do seu convívio.Não pensem que é fácil suportar o sofimento por saber que se tem câncer,fazer quimioterapia e ainda tentar ser"normal",trabalhar,cuidar dos filhos ou dos familiares idosos,continuar vivendo como se tudo estivesse bem.
O paciente com câncer não tem preferência na fila do banco,na fila do supermercado.Não tem vaga especial para estacionar.
Todos vêem que lhes falta o cabelo e até as sobrancelhas,mas azar é o dele.
Combina com o novo lema da sociedade atual:"Ema,ema,ema;cada um com seu problema!"
Até que um dia o problema vira nosso,ou de alguém muito próximo a nós.
Não estou querendo fazer chantagem emocional,ou coisa que o valha.Só gostaria que vocês se dessem contam que,o futuro,ninguém sabe.E as pessoas não estão aqui para sempre.Se são importantes para você,fale agora.Porque amanhã pode ser tarde.
E não julgue os que sofrem.Você não sabe do sofrimento deles.
E porque ninguém está livre de adoecer.
Terror noturno!
Continuando,a tarde foi caindo e eu fui entendendo os porquês de não poder trabalhar.
Otimista,eu tinha decidido ficar sozinha na minha casa.Achei que "não dava nada"!
À noite,eu já sentia tudo que é tipo de mal-estar,como gastrite,refluxo,constipação,distensão abdominal,edema de membros inferiores,agitação,taquicardia com palpitação,cefaléia,dor muscular e,o pior de tudo,enjôo.O Nausedron não fazia quase nada de efeito;eu tinha feito um estoque desta medicação para nada!No terceiro dia,fui até a clínica retirar a bomba de infusão.Achei que,a partir deste dia,as coisas melhorariam.Afinal,a infusão tinha terminado!
Mas o meu organismo estava impregnado pela quimioterapia e a excreção renal é lenta.
Paguei os meus pecados por 5 dias consecutivos,sem dormir,com enxaqueca e bruxismo.Não conseguia ficar com a plaquinha contra o bruxismo;os dentes doíam muito.Desnecessário dizer que quebrei as restaurações inferiores,dos dois lados.
E não saía de casa, nem da cama.A fadiga causada pela quimioterapia é inexplicável.
Minha mãe e minha cunhada farmacêutica me levaram comida.Não conseguia comer,de tão enjoada.nem beber água,que,agora,tinha gosto metálico.E tinha que ser água morna;ao contrário,causava dor na garganta.
Vontade eu tive de arrancar o equipo do peito e suspender a quimioterapia,mas seria o mesmo que assinar o meu atestado de óbito.Pedi a Jesus e Maria que me ajudassem a suportar tudo isto.Nem chorar,eu podia.Doíam ainda mais,os músculos da face.
Será que eu aguentaria 8 ciclos de quimioterapia,com uma "folga"de 7 dias entre eles?Eu esperava que sim,para me livrar do tratamento no fim de 2014.Eu sempre espero o melhor;não sei se é uma boa opção...
Nos dias que se seguiram,os sintomas continuaram,mas em menor escala.
Mas nada voltou a ser como era antes.
Um dos meus irmãos pesquisou na internet sobre a graviola,como agente anti-cancerígeno e me trouxe até a fruta,que nada mais é que a "fruta do conde".Meu outro irmão e minha outra cunhada me trouxeram cápsulas de polpa de graviola e chá da folha da graviola.
Todos me pediam que eu resistisse,que me animasse,não desistisse.
Desistir,eu não ia.
Mas o corpo é que não reagia.
Será que eu era como aqueles pacientes que estão sempre reclamando,sentindo isso ou aquilo?
Não seria exagero meu,sentir tudo o que eu sentia?
A cunhada farmacêutica argumentava,sempre,que a quimioterapia tinha que ser forte para matar o tumor.Ok,matar só tumor,né?
Eu tinha um desejo de saber como o meu "inimigo número 1",o tumor,estava se saindo.Era só eu que estava sofrendo?
Me diziam que,com o tempo,o meu organismo se acostumaria com o tratamento.Bobagem!Minha falecida e querida avó Jacy já dizia que ninguém se acostuma com o que é ruim.Só louco!
Me achando uma "dengosa",entrei no site do INCA,desta vez,acessando os depoimentos dos pacientes com câncer,especialmente dos que se tratavam para câncer de cólon.
Surpresa!Eles sentiam os mesmos efeitos colaterais que eu,e,até,outros piores.Eu até que tinha sorte.Parei de reclamar.Tinha gente sofrendo muito mais que eu!E tinha gente que,após se submeter à violência que é a quimioterapia,não resistia.
Sim,tinha gente com o mesmo diagnóstico que eu,utilizando o mesmo protocolo,o Folfox,que sofria horrores e,mesmo assim,morria!
Que injustiça,morrer após tanto sofrimento!
E,aí,a minha "ficha",que,desde o diagnóstico,caía e subia de novo,finalmente caiu em definitivo.
Sim,podia ser que eu também não sobrevivesse.Eu não era melhor que estas pessoas.Chorei.
Morrer...
De novo,o mundo pareceu mágico,maravilhoso.Quando se tem a sensação de perda é que se dá valor às coisas mais banais.
Troquei mensagens com o meu orientador da prova do concurso que eu tinha feito.Já não interessava se eu tinha passado ou não;nem sabia se ia viver.O resultado não tinha saído,ainda.Ele só me pediu para resistir,que ele queria ver a Nataly que ele conhecia e admirava.Marcamos de tomar um vinho no final de 2014,que acabaríamos não tomando.
Minha mãe dizia que ninguém morre antes da hora e que,se eu quisesse viver,tinha que me esforçar e reagir.
E,no meio da desgraça,me aparece outro anjo.Não estava mais entre nós,mas sua coragem ficou escrita e em inspirou.Uma jovem guerreira,que enfrentou o câncer de frente,com fé em Deus,não esmoreceu e lutou até o fim.
Não percam o próximo capítulo!
Otimista,eu tinha decidido ficar sozinha na minha casa.Achei que "não dava nada"!
À noite,eu já sentia tudo que é tipo de mal-estar,como gastrite,refluxo,constipação,distensão abdominal,edema de membros inferiores,agitação,taquicardia com palpitação,cefaléia,dor muscular e,o pior de tudo,enjôo.O Nausedron não fazia quase nada de efeito;eu tinha feito um estoque desta medicação para nada!No terceiro dia,fui até a clínica retirar a bomba de infusão.Achei que,a partir deste dia,as coisas melhorariam.Afinal,a infusão tinha terminado!
Mas o meu organismo estava impregnado pela quimioterapia e a excreção renal é lenta.
Paguei os meus pecados por 5 dias consecutivos,sem dormir,com enxaqueca e bruxismo.Não conseguia ficar com a plaquinha contra o bruxismo;os dentes doíam muito.Desnecessário dizer que quebrei as restaurações inferiores,dos dois lados.
E não saía de casa, nem da cama.A fadiga causada pela quimioterapia é inexplicável.
Minha mãe e minha cunhada farmacêutica me levaram comida.Não conseguia comer,de tão enjoada.nem beber água,que,agora,tinha gosto metálico.E tinha que ser água morna;ao contrário,causava dor na garganta.
Vontade eu tive de arrancar o equipo do peito e suspender a quimioterapia,mas seria o mesmo que assinar o meu atestado de óbito.Pedi a Jesus e Maria que me ajudassem a suportar tudo isto.Nem chorar,eu podia.Doíam ainda mais,os músculos da face.
Será que eu aguentaria 8 ciclos de quimioterapia,com uma "folga"de 7 dias entre eles?Eu esperava que sim,para me livrar do tratamento no fim de 2014.Eu sempre espero o melhor;não sei se é uma boa opção...
Nos dias que se seguiram,os sintomas continuaram,mas em menor escala.
Mas nada voltou a ser como era antes.
Um dos meus irmãos pesquisou na internet sobre a graviola,como agente anti-cancerígeno e me trouxe até a fruta,que nada mais é que a "fruta do conde".Meu outro irmão e minha outra cunhada me trouxeram cápsulas de polpa de graviola e chá da folha da graviola.
Todos me pediam que eu resistisse,que me animasse,não desistisse.
Desistir,eu não ia.
Mas o corpo é que não reagia.
Será que eu era como aqueles pacientes que estão sempre reclamando,sentindo isso ou aquilo?
Não seria exagero meu,sentir tudo o que eu sentia?
A cunhada farmacêutica argumentava,sempre,que a quimioterapia tinha que ser forte para matar o tumor.Ok,matar só tumor,né?
Eu tinha um desejo de saber como o meu "inimigo número 1",o tumor,estava se saindo.Era só eu que estava sofrendo?
Me diziam que,com o tempo,o meu organismo se acostumaria com o tratamento.Bobagem!Minha falecida e querida avó Jacy já dizia que ninguém se acostuma com o que é ruim.Só louco!
Me achando uma "dengosa",entrei no site do INCA,desta vez,acessando os depoimentos dos pacientes com câncer,especialmente dos que se tratavam para câncer de cólon.
Surpresa!Eles sentiam os mesmos efeitos colaterais que eu,e,até,outros piores.Eu até que tinha sorte.Parei de reclamar.Tinha gente sofrendo muito mais que eu!E tinha gente que,após se submeter à violência que é a quimioterapia,não resistia.
Sim,tinha gente com o mesmo diagnóstico que eu,utilizando o mesmo protocolo,o Folfox,que sofria horrores e,mesmo assim,morria!
Que injustiça,morrer após tanto sofrimento!
E,aí,a minha "ficha",que,desde o diagnóstico,caía e subia de novo,finalmente caiu em definitivo.
Sim,podia ser que eu também não sobrevivesse.Eu não era melhor que estas pessoas.Chorei.
Morrer...
De novo,o mundo pareceu mágico,maravilhoso.Quando se tem a sensação de perda é que se dá valor às coisas mais banais.
Troquei mensagens com o meu orientador da prova do concurso que eu tinha feito.Já não interessava se eu tinha passado ou não;nem sabia se ia viver.O resultado não tinha saído,ainda.Ele só me pediu para resistir,que ele queria ver a Nataly que ele conhecia e admirava.Marcamos de tomar um vinho no final de 2014,que acabaríamos não tomando.
Minha mãe dizia que ninguém morre antes da hora e que,se eu quisesse viver,tinha que me esforçar e reagir.
E,no meio da desgraça,me aparece outro anjo.Não estava mais entre nós,mas sua coragem ficou escrita e em inspirou.Uma jovem guerreira,que enfrentou o câncer de frente,com fé em Deus,não esmoreceu e lutou até o fim.
Não percam o próximo capítulo!
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Voltei!
Boa tarde, amigos!
Não esqueci de vocês!
É que,como estou com a imunidade baixa devido à quimioterapia,a virose que adquiri me derrubou por 3 dias.
Pois é...
A parte "barbada" do tratamento,na verdade,é "punk"!
Tem horas que eu acho que a "minha vela vai apagar",aí me agarro com Deus.Agradeço às amigas que rezaram por mim neste feriadão,enquanto estive mal.
Retomando o assunto,saindo do hospital,achei que estava quase livre do problema.
Me disseram que eu teria que colocar um catéter na veia subclávia direita,para evitar de ficar puncionando veia na hora da quimioterapia,já que as minhas veias são quase invisíveis e rompem com facilidade.Outra "barbada"!Nem dói,disse o cirurgião.
Não dói pouco!Ficou mais sensível que a ferida operatória na barriga.
Enfim...
Fiquei um mês me recuperando das cirurgias,ou melhor,"engordando".
E fazendo um check up com a ginecologista,pois,no ano anterior,fiz punção de um nódulo mamário (benigno,graças à Deus) e biópsia do colo de útero que acabou sendo normal.
Um ano antes,parece que a ginecologista já estava sentindo algo no ar;se preocupava muito com meus exames.E agora,quem se preocupava era eu,devido às correlações entre câncer de cólon,ovários,útero e mamas.Fui consultar com a doutora antes mesmo de retirar os pontos da barriga.Ela se espantou.Mas era o medo!
Não preciso dizer que desisti do congresso em Fortaleza,por motivos óbvios.
Falei para a minha mãe que,por um lado,ficava aliviada de ter sido eu a "sorteada"com a doença ao invés dos meus dois irmãos.O câncer é capaz de desestruturar uma família,ainda mais quando atinge o provedor,que precisa trabalhar para sustentar a esposa e os filhos.
Quem não trabalha não come.
E ainda tem o tratamento,que é caro.Quem não tem convênio,geralmente fica na espera do Sistema Único de Saúde.Só que o câncer não espera;muito pelo contrário.Os "famosos 60 dias"podem ser uma eternidade para o doente,que,quando atendido,pode não ter mais chance de cura.
O tratamento tem que ser para ontem!
No dia primeiro de setembro,iniciei o primeiro ciclo.Minha cunhada farmacêutica me acompanhou.Fomos muito bem recebidas na clínica;o pessoal era muito atencioso e competente.Tive até uma conversa com o psicólogo.Naquele dia,não me senti muito mal.Um pouco de enjôo,dor na garganta quando bebia água mais geladinha,a barriga ficou um pouco inchada...Tudo indicava que seria uma barbada.Mas,por que o oncologista disse que eu não poderia trabalhar?E nem viajar?Eu tinha dois meses de férias atrasadas...
Por que será, né?
Na metade da tarde,fui liberada para casa com uma bomba de infusão com 5-fluoracil,com a qual eu deveria ficar por 3 dias.O protocolo escolhido para o meu tratamento foi o Folfox,com Avastin.Saí de lá com o equipo "pendurado"no peito,conectado ao catéter.E a bomba de infusão pendurada na cintura.
O martírio começou à noite.
Aliás,a noite sempre piora os problemas ou nós os achamos piores quando fica escuro.
Não esqueci de vocês!
É que,como estou com a imunidade baixa devido à quimioterapia,a virose que adquiri me derrubou por 3 dias.
Pois é...
A parte "barbada" do tratamento,na verdade,é "punk"!
Tem horas que eu acho que a "minha vela vai apagar",aí me agarro com Deus.Agradeço às amigas que rezaram por mim neste feriadão,enquanto estive mal.
Retomando o assunto,saindo do hospital,achei que estava quase livre do problema.
Me disseram que eu teria que colocar um catéter na veia subclávia direita,para evitar de ficar puncionando veia na hora da quimioterapia,já que as minhas veias são quase invisíveis e rompem com facilidade.Outra "barbada"!Nem dói,disse o cirurgião.
Não dói pouco!Ficou mais sensível que a ferida operatória na barriga.
Enfim...
Fiquei um mês me recuperando das cirurgias,ou melhor,"engordando".
E fazendo um check up com a ginecologista,pois,no ano anterior,fiz punção de um nódulo mamário (benigno,graças à Deus) e biópsia do colo de útero que acabou sendo normal.
Um ano antes,parece que a ginecologista já estava sentindo algo no ar;se preocupava muito com meus exames.E agora,quem se preocupava era eu,devido às correlações entre câncer de cólon,ovários,útero e mamas.Fui consultar com a doutora antes mesmo de retirar os pontos da barriga.Ela se espantou.Mas era o medo!
Não preciso dizer que desisti do congresso em Fortaleza,por motivos óbvios.
Falei para a minha mãe que,por um lado,ficava aliviada de ter sido eu a "sorteada"com a doença ao invés dos meus dois irmãos.O câncer é capaz de desestruturar uma família,ainda mais quando atinge o provedor,que precisa trabalhar para sustentar a esposa e os filhos.
Quem não trabalha não come.
E ainda tem o tratamento,que é caro.Quem não tem convênio,geralmente fica na espera do Sistema Único de Saúde.Só que o câncer não espera;muito pelo contrário.Os "famosos 60 dias"podem ser uma eternidade para o doente,que,quando atendido,pode não ter mais chance de cura.
O tratamento tem que ser para ontem!
No dia primeiro de setembro,iniciei o primeiro ciclo.Minha cunhada farmacêutica me acompanhou.Fomos muito bem recebidas na clínica;o pessoal era muito atencioso e competente.Tive até uma conversa com o psicólogo.Naquele dia,não me senti muito mal.Um pouco de enjôo,dor na garganta quando bebia água mais geladinha,a barriga ficou um pouco inchada...Tudo indicava que seria uma barbada.Mas,por que o oncologista disse que eu não poderia trabalhar?E nem viajar?Eu tinha dois meses de férias atrasadas...
Por que será, né?
Na metade da tarde,fui liberada para casa com uma bomba de infusão com 5-fluoracil,com a qual eu deveria ficar por 3 dias.O protocolo escolhido para o meu tratamento foi o Folfox,com Avastin.Saí de lá com o equipo "pendurado"no peito,conectado ao catéter.E a bomba de infusão pendurada na cintura.
O martírio começou à noite.
Aliás,a noite sempre piora os problemas ou nós os achamos piores quando fica escuro.
sábado, 2 de maio de 2015
A Cirurgia
Na manhã de quarta-feira, fui levada ao bloco cirúrgico bem cedo,em jejum.
O cirurgião e o anestesista me receberam bem,num clima de tranquilidade.
Retiraram o tumor no intestino,do tamanho de uma laranja,e vários linfonodos locais,sendo que cinco foram invadidos pelo tumor.
Me disseram que o linfonodo sentinela estava "inchado"e eu até senti um certo orgulho deste "guerreiro",que lutou até o fim para evitar a disseminação das metástases.
O cirurgião me contou que a cirurgia foi um sucesso,que nem ele esperava que tudo tivesse saído tão bem.Para mim,nenhuma surpresa, já que eu tinha pedido,em minhas orações,que Jesus fosse o meu cirurgião.
O pós-operatório foi doloroso.Minha pressão caiu bastante e eu não consegui aguentar a dor sem morfina.
Eu pedia para beber água, mesmo sabendo que não podia.Uma enfermeira caridosa molhava os meus lábios com uma gaze úmida.Fui visitada por familiares e amigos na sala de recuperação.
Como estava que era "só osso",fiquei com escaras na região do cóccix.
Cerca de trinta e seis horas depois da cirurgia,fui para um quarto particular,pois o outro estava virado numa "baderna" e eu queria silêncio para descansar.Fui visitada por um Ministro da Eucaristia,que me deu um pedacinho da óstia,já que eu não podia ingerir nada.
Ficava quase que imobilizada na cama,sem me mexer,cheia de catéter e sonda por tudo que é lado,e com muita dor.
Quando a gente fica numa situação destas é que dá valor a poder se movimentar,ficar sem dor,comer,tomar banho e outras coisas banais.
O primeiro dia em que tomei banho,agradeci a Deus.Parecia uma coisa de outro mundo.
Recebi muitas visitas,mensagens,telefonemas.Às vezes não atendia o telefone porque estava sem bateria ou porque doía muito para esticar o braço e pegá-lo.
Quero,aqui,agradecer a todos pela atenção e carinho.
Agradecer à minha família,sempre ao meu lado,especialmente à minha mãe,com sua presença de espírito e raciocínio rápido.
Agradecer aos amigos e colegas,que deixaram seus afazeres para irem me dar um apoio;aos que mandaram flores,para me alegrar.
Comecei a ser alimentada aos poucos.Que felicidade eu tive,no dia em que me trouxeram uma bandeja com café com leite e pão.Até perguntei se não tinha sido entregue por engano no meu quarto,se eu já podia comer...
Já nos últimos dias,tive uma flebite na minha única veia de acesso.Finalmente,passaram a medicação para via oral e eu me livrei do equipo de soro.
E me deram alta.Graças a Deus,eu ia para casa.
Apesar da dor na ferida operatória,da dificuldade de movimentação e do mal-estar,pensei que o pior já havia passado.Achei que o que viria pela frente era "barbada".Sabia que teria que fazer quimioterapia para as metástases no fígado,mas pensava que seria mais tranquilo.
Doce ilusão...
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Gratidão
Bom dia!
Quem tem um trabalho,agradeça a Deus!
Quem não tem,peça com fé que receberá!
Mas,acima de tudo,ame o que faz.Este é o segredo.
Quem tem um trabalho,agradeça a Deus!
Quem não tem,peça com fé que receberá!
Mas,acima de tudo,ame o que faz.Este é o segredo.
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