Depois de cerca de um mês na expectativa,na praia,sem saber se teria que realizar uma cirurgia hepática,liguei para o meu oncologista.Aceitaria o que ele decidisse.
Ele havia estudado e discutido o meu caso com vários especialistas:cirurgiões,hepatologistas,proctologistas e oncologistas.
Não há como negar que ele também carregava um peso nos ombros,já que eu era colega (médica) e muita gente sabia da minha doença.Os colegas perguntavam a ele sobre a minha saúde e o meu tratamento.Acredito que ele decidiu pelo melhor e com muito carinho,como disse que faria.
Eu teria muita dificuldade de retomar o protocolo Folfox+Avastin.Só de entrar na clínica de oncologia e sentir o cheiro de medicação,que já "impregnou" o local,eu ficava enjoada.
Isto porque,mesmo não fazendo mais quimioterapia endovenosa,tenho que "limpar" o catéter com soro e heparina,periodicamente.
Quanto à cirurgia,apesar de o fígado ser um órgão que se regenera,também é muito vascularizado e, em qualquer intervenção,há um grande risco de hemorragia.Eu não gostaria de operar...
A minha surpresa é que ele optou por me prescrever quimioterapia via oral.Eu tomaria 3 comprimidos pela manhã e 3 à noite,por 14 dias e faria um intervalo de 7 dias,durante 4 meses.
Achei bom demais!Só me faltou soltar fogos de artifício!
Ele me falou,por telefone,o nome da medicação,o Xeloda,e eu fui "bisbilhotar" na internet.
Quase caí para trás quando vi o preço de uma caixa,com 120 comprimidos de 500mg,suficientes para 20 dias de tratamento: mais ou menos R$ 2.500,00 ???
A esta altura do campeonato,pensei: azar!Eu pago!
Mas,e quem não dispõe deste valor?Morre?
Eu sei que os laboratórios investem muito em pesquisa e querem ter um retorno financeiro,mas isto é demais.
Em Porto Alegre,no consultório,meu oncologista disse que o meu convênio me cederia a medicação e que cada ciclo de quimioterapia que eu havia realizado chegava perto de R$ 40.000,00!!!
Isto mesmo!Novamente,me pergunto: e quem não tem este dinheiro?
Quem não tem,aguarda os 60 dias do SUS.Mas a doença não espera...
De posse da medicação,achei que o tratamento seria uma "barbada",como sempre acho.
E sempre acabo me frustrando...
Eu queria viajar.Há dois anos não tirava férias.Queria ir ao Caribe,depois de tanto sofrimento.
Eu tinha lido a bula do medicamente na internet,mas achei que,com sorte,não teria nenhum efeito colateral muito importante,que me limitasse.
Já tinha orçamentos de vários pacotes de turismo e tratei de comprar um maiô novo para viajar.Sim,para proteger do sol a cicatriz na barriga,não usaria biquíni.
Minha mãe achava mais prudente não comprar um pacote de viagem sem ter iniciado o tratamento e conferido os possíveis efeitos colaterais.Eu corria o risco de pagar a viagem e não poder viajar,de novo!
Lembram do congresso em Fortaleza?Pois é.Perdi...
Mas eu queria viajar e "espairecer" a cabeça.

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