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terça-feira, 28 de abril de 2015

Caindo na real...

Bom,o proctologista me falou que eu não devia ter dado importância ao CEA,pois é um exame utilizado para seguimento de tumores intestinais e não para o diagnóstico.E é verdade.Mas não dá para ser feliz com duas amostras de CEA elevadas.
Resolvemos fazer uma colonoscopia.Só para tirar a dúvida...Eu disse que gostaria que o diagnóstico fosse de um pólipo (benigno) e ele disse:-"Se desse para escolher,seria bom!"
Durante o procedimento,o colonoscópio já "esbarrou" no tumor localizado na porção sigmóide do intestino grosso e foram retirados vários fragmentos para biópsia.Provavelmente,o médico já sabia que era um tumor,mas não "bateu o martelo".Me disse que não se poderia deixar de pensar em neoplasia e que era para esperar o resultado da biópsia.Saí chorando do hospital e peguei um taxi.
Enquanto esperava o resultado da biópsia,fui para a casa da minha mãe, que já estava muito aflita.
Sou pediatra e,uma coisa,eu posso dizer: mãe tem sexto sentido!
No sexto dia de espera,resolvi ligar para o laboratório.O exame estava pronto, mas não me dariam o resultado porque eu era paciente.Falei que era médica,dei meu CRM e disse que eu queria ter acesso ao meu exame para ter a chance de lutar contra a doença,qualquer que fosse,o quanto antes.Depois de muito insistir,me mandaram um e-mail com o resultado.Ouvi o barulhinho no celular indicando que o e-mail tinha chegado.Estava sozinha no quarto,olhando para o crucifixo de Jesus da Misericórdia; pedi que ele me desse força e coragem.Abri o e-mail.
Adenocarcinoma pouco diferenciado.Aquele terrível das aulas de patologia.Agora eu tinha esta doença.
Não dá para descrever a sensação; a gente vincula câncer com sentença de morte.Eu não queria morrer tão cedo.De repente,o mundo me pareceu maravilhoso,a vida me pareceu magnífica,os problemas que me incomodavam me pareceram irrisórios...E eu tinha perdido o principal,pois sem saúde não há vida.Aquela saúde que parecia que ia estar sempre lá, independente de qualquer coisa.Aquela saúde que nunca me preocupou,pois eu nunca tinha tido nada.Exceto o câncer.Chorei de novo.
Eu queria ter a chance de viver mais um pouco.Pouco,não; muito!
Já não bastasse a bomba que caiu na minha cabeça,ainda tinha que dar a notícia para a minha família.Eu não queria que eles sofressem.Mas também não conseguia fingir que não estava sofrendo.
Nesta hora cruel,sozinha no quarto,olhei para Jesus crucificado e pedi que me salvasse,pois,por pior que fosse a situação,Ele podia tudo.Agora estava nas mãos Dele.
Nestas horas é bom ter fé...para não entrar em desespero.Para fazer o que deve ser feito e continuar lutando,acreditando que tudo vai dar certo.
Por hoje,é só!

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