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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Guerra ao terror, digo, ao tumor!

A ressonância magnética foi realizada no domingo e já marcamos a cirurgia para a próxima quarta-feira.
Na segunda-feira,fiz os exames de sangue pré-operatórios.
Eu olhava no espelho pela última vez a minha linda barriguinha "sarada",que ia levar uma "facada" em breve.Já sabia que fariam uma incisão do púbis até acima do umbigo.Mas era caso de vida ou morte.
Me sentia como uma mulher-bomba muçulmana.Por isto,tinha pressa em me operar.
E ainda tinha esperança de ir ao Congresso de Pediatria em Fortaleza,depois da cirurgia.Bem capaz!
Na tarde de terça-feira, minha cunhada me levou ao hospital.Quando chegamos no quarto,eu não queria entrar.Mas fui obrigada.O meu convênio dava direito a quarto semi-privativo.
Eu tinha feito o convênio para consultar com meus colegas sem constrangimento,já que nunca queriam me cobrar a consulta.Eu vivia tendo que comprar "presentinhos"e também não achava justo que eles não fossem remunerados.Mas nunca me passou pela cabeça que um dia eu ia ter que ficar internada num hospital.Inclusive,alguns meses antes, até pensei em parar de pagar o tal convênio,já que não usava muito.Minha mãe foi contra. 
O hospital estava em reforma e o quarto era muito precário.A minha companheira de quarto,muito querida mas meio sem-noção,me disse que aquela cama,que agora era minha,tinha sido usada por uma moça com câncer terminal que tinha tido alta no dia anterior para morrer em casa,já que o caso dela não tinha mais solução.
É...desgraça pouca é bobagem!
Mas e aqueles que nem convênio têm,que não têm recursos para o pagar o tratamento?Que ficam na fila de espera até para a consulta?E,quando recebem o diagnóstico,não há mais chance de cura.
Deus foi bom para mim!
Naquela noite,recebi muitas visitas da família,de colegas e de amigos.Até o meu chefe e sua esposa foram me ver.
Uma coisa boa é que o crucifixo,que penduram nas paredes dos quartos dos pacientes,ficava do meu "lado" do quarto.Interpretei como um sinal dizendo que Jesus estava comigo.
Na visita noturna pré-operatória,pedi ao anestesista que não usasse morfina,pois sou muito enjoada.Ele me disse que não tinha como não usar e que eu mesma ia pedir morfina. 
Que noite!Agora era rezar,dormir e esperar pela cirurgia,no dia seguinte.
Eu estava nas mãos de Deus.
Para falar a verdade,sempre estive!




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