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quarta-feira, 29 de abril de 2015

A Sentença...

Retomando o assunto,naquele dia fatídico,eu tinha que dar a notícia para a minha mãe.Fui ao quarto dela e não pude falar,pois ela acabava de ter uma crise hipertensiva.A mensagem já tinha sido transmitida através do cordão umbilical invisível que conecta mães e filhos.Esperei ela melhorar e contei.Ela reagiu bem.Sempre foi corajosa.A coragem dela sempre me inspirou.Avisamos os meus irmãos,com otimismo,embora eles tenham recebido a notícia com pesar.Mas eu achava que o tumor estava restrito ao intestino e era só operar.Voltei para minha casa,em Porto Alegre no dia seguinte,numa sexta-feira.Consultei com o proctologista,que já me solicitou uma ressonância magnética que eu realizei no domingo pela manhã.A boa notícia é que a quimioterapia,em geral,não fazia o cabelo cair.Em geral...
Como aquele dia de inverno estava bonito!Nestas horas,tudo vira maravilhoso.Até o hospital era bonito,rodeado de árvores.
Uma das minhas cunhadas me levou para fazer o exame.O aparelho de ressonância era de campo fechado e eu temia me sentir mal,claustrofobia,sei lá.Mais um obstáculo a ser vencido,como vários que se seguiriam.
Obviamente,depois do exame,fui falar com uma radiologista que estava fazendo alguns laudos de urgência.Pedi, pelo amor de Deus,que interpretasse o meu exame,pois não era função dela.
Acho que ela se esforçou,foi muito querida,gentil e solidária,mas teve que me dar a notícia de que eu tinha metástases.Chorei!
O câncer tinha se espalhado.
E agora?
Eu tinha tanta coisa pela frente: ainda não sabia se tinha passado no concurso,mas tinha esperança.Tinha um congresso pago em Fortaleza.Tinha sido indicada para a direção do Posto Médico de Pelotas.E tinha a minha família querida,que eu não posso ficar sem.
Que situação!
Saímos do hospital e fomos almoçar no restaurante do shopping,eu,minha cunhada,meu irmão e meus sobrinhos.Depois do nosso costumeiro cafezinho,já pensando na quimioterapia,eu procurei uma lojinha,no shopping,que ensinava a colocar lenços na cabeça de forma descolada.Minha cunhada dizia que eu não ia precisar.Mas, nunca se sabe!E eu não queria passar frio na cabeça.
O destino é incrível, né?
Há alguns anos, eu tinha um cabelão até a cintura.Aí,resolvi cortar na altura do ombro e guardei aquele cabelo por anos.Dois meses antes do meu diagnóstico,resolvi doar aquele cabelo para uma instituição que fazia perucas para crianças com câncer.O cabelo que havia,dava para umas cinco perucas,sem brincadeira!

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